Desemprego castiga jovens

Desemprego castiga jovens

Número de pessoas sem trabalho cai para 4,9% da população ativa em setembro. Das desocupadas, 34% estão na faixa de 18 a 24 anos

» BÁRBARA NASCIMENTO
postado em 24/10/2014 00:00
Apesar de os níveis de desemprego terem atingido patamares historicamente baixos no país, as estatísticas ainda revelam a penalização de setores mais vulneráveis e ilustram um mercado de trabalho repleto de conservadorismos. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre as pessoas que não possuem uma ocupação atualmente, 55,9% são mulheres. No Rio de Janeiro, esse valor chega a 60,9%. Os jovens, entre 18 e 24 anos, também são jogados para escanteio pelos empregadores: 34% dos desocupados estão nessa faixa etária.

Conforme o levantamento, as taxas de desocupação ainda resistem à desaceleração da economia. O indicador de desemprego caiu em setembro para 4,9% da população economicamente ativa, o nível mais baixo desde o início da série histórica, em março de 2002. O número representa queda de 0,1% na comparação com o mês anterior e de 0,5% em relação a setembro do ano passado. O IBGE analisa o conjunto de seis regiões metropolitanas: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

A população ocupada atingiu, no mês passado, 23,1 milhões de pessoas, das quais 11,7 milhões com carteira assinada. Em relação a um ano antes, houve queda de 0,4%. Os desempregados totalizaram 1,18 milhão, mostrando estabilidade em relação a agosto, mas caiu 10,9% ante setembro de 2013. O rendimento real dos trabalhadores também não apresentou grande variação quando comparado ao mês anterior: foi de R$ 2.064,82 para R$ 2.067,10.

A redução da taxa de desemprego, embora seja considerada positiva, não decorre do aumento da oferta de vagas, já que a economia está parada. ;Parece uma contradição, já que o nível de atividade está muito baixo e outros indicadores têm mostrado que a geração de empregos caiu. O problema é que poucas pessoas estão ingressando no mercado;, analisou o professor de economia Carlos Alberto Ramos, da Universidade de Brasília (UnB). ;A redução está associada à queda na procura (por trabalho), ou seja, a taxa cai porque há menos pressão sobre o mercado;, completou a técnica do IBGE Adriana Berengui.

Barreira
A especialista em gênero Tânia Navarro Swain acrescenta que ainda há resquícios de conservadorismo na hora de escolher o empregado, o que coloca as mulheres em desvantagem. Entre os principais fatores que levam o sexo feminino a ser preterido pelos homens na hora de conseguir um emprego, ela aponta a maternidade como uma barreira. ;O que torna a situação ainda mais complicada para quem é mulher e jovem;, disse.

Tânia pondera que a estatística pode guardar ainda uma outra interpretação. ;O dado do IBGE considera apenas as pessoas que estão procurando emprego. O que pode sinalizar que elas estão querendo, ativamente, participar da vida econômica, com maior fôlego. Hoje, muitas mulheres são arrimo de família;, completou.

Na análise regional também é possível ver diferenças. Em relação a agosto, a população desocupada cresceu 15,6% no Rio de Janeiro e diminuiu 12,3% em São Paulo. Ante setembro de 2013, as duas regiões recuaram 23%.

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