Criado banco de dados do vírus

Criado banco de dados do vírus

postado em 24/10/2014 00:00

Na tentativa de encontrar formas mais eficientes de combater o ebola, pesquisadores trabalham na criação de um grande banco de dados com todas as informações já registradas sobre a doença. O levantamento, que ainda não inclui a atual epidemia, analisa os 22 surtos ocorridos desde que a enfermidade foi registrada em 1976, no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo. O relatório detalha todos os casos de contaminação em cada uma das 117 regiões em que o vírus já foi registrado, além de descrever as transmissões entre animal e humanos que deram início aos contágios e o comportamento dos pacientes que ;exportaram; o patógeno para outras regiões. As informações foram publicadas hoje na revista Scientific Data.

Para criar a referência mais completa já produzida sobre o ebola, os pesquisadores tiveram de interpretar informações muitas vezes pouco precisas e fazer levantamentos geográficos que determinassem com alguma precisão onde ocorreram as transmissões do vírus. A comparação entre os casos revelou que a reação da população e do sistema de saúde são fatores determinantes para a dimensão de cada surto.

;Uma determinada cepa do vírus pode ter uma virulência alta ou baixa, mas parece que há outros fatores que são mais importantes para determinar a magnitude do surto;, atesta Oliver Brady, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford e um dos autores do estudo. Ao analisar as formas de propagação, o grupo notou que as epidemias costumam se expandir quando pessoas doentes precisam viajar em busca de ajuda médica. ;A primeira grande notificação de um surto geralmente acontece quando alguém de uma vila procura tratamento em um grande hospital urbano. Se esse paciente puder ser rapidamente diagnosticado e o histórico dele construído, há uma grande chance de controlar o surto;, descreve Brady.

O grupo pretende incluir a atual epidemia ; a mais grave da história ; no banco de dados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até o último dia 19, ela matou 4.877 pessoas de um total de 9.936 infectadas. A comparação do problema atual com os anteriores, ressaltam os pesquisadores, pode fornecer respostas sobre como a doença se propagou tão rapidamente nos últimos meses. (RM)

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