Bailando na melhor idade

Bailando na melhor idade

Flamenco traz benefícios como concentração, coordenação motora e eleva autoestima

Sara Campos Especial para o Correio
postado em 24/10/2014 00:00
 (foto: Marcelo Dischinger/Divulgação)
(foto: Marcelo Dischinger/Divulgação)


Resultado de um mosaico entre culturas milenares, a dança flamenca vai além de uma arte que se tornou símbolo cultural da Espanha. A leveza do movimento das mãos entra em contraste com o sapateado e a expressividade, elementos eternizados por nomes como os dançarinos Antonio Gades e Sara Baras. Além de ser uma coreografia desafiante, o flamenco é uma atividade democrática que promove uma interação social entre várias gerações.

Escolas de dança flamenca da cidade apresentam turmas heterogêneas nas quais a idade não se torna um impedimento para a prática. A insegurança inicial pode se tornar um incentivo para vencer desafios. ;O flamenco não tem idade. A graça dessa dança não está na força, e, sim, na expressão e na forma de se colocar o corpo. É outro tipo de beleza;, afirma Patricia El-moor, que coordena ao lado da irmã, Renata El-moor, a escola de dança Oficina Flamenca.

O aumento da procura de mulheres mais velhas pelo flamenco tem se tornado latente para o dançarino Raphael Cortés, que comanda o Instituto Flamenco Raphael Cortés. ;Nos últimos 5 anos, a procura de mulheres com esse perfil aumentou 40%. Elas percebem que o flamenco não tem preconceito com estereótipos;. Cortés afirma que o rendimento deste público pode superar o de mulheres mais jovens. ;A experiência delas contribui muito na questão da dramaticidade no palco. É algo que só a vivência pode trazer;.

Assim como no balé clássico, a questão postural é um ponto bastante importante para se dançar flamenco. Os passos também aprimoram a coordenação motora, e o sapateado trabalha a concentração, o que ajuda a manter a mente ativa. A autoestima é outro elemento que está entre os benefícios do flamenco. ;Vejo que, depois de duas ou três semanas de aula, as alunas começam a ter uma confiança e uma postura melhor, o que se reflete em segurança emocional no dia a dia;, ressalta Patricia.

Seguindo uma antiga paixão pelo ritmo, Olívia Bernardo, de 66 anos, decidiu aprender flamenco há 10 anos. O constrangimento e o medo sentidos na fase inicial deram espaço à evolução das partes física e mental. ;Eu me sinto mais ágil, linda e poderosa. É preciso encarar as rugas e a flacidez e saber que o tempo é muito curto. Subir em um tablado é algo sagrado: uma sensação que todas as mulheres da minha idade deveriam experimentar.;



Onde praticar

Instituto Flamenco
Raphael Cortés
SGAN 910, bloco F, Casa do Ceará. Telefone:9676-0687. Mensalidades a
partir de R$ 100.

Oficina Flamenca
CLN 110, Bloco A, lojas 73/77, subsolo.
Telefone: 3273-7374. Mensalidade de R$ 220.


Studio de Dança
Capricho Espanhol
EQS 110/111 Sul (antiga galeria do Cine Karim).
Telefone: 3244-6648. Mensalidades
a partir de R$ 170.

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