Pedidos de demissão sobre a mesa de Dilma

Pedidos de demissão sobre a mesa de Dilma

Um dia após Marta Suplicy deixar a pasta da Cultura, outros 14 titulares do primeiro escalão colocam o cargo à disposição

PAULO DE TARSO LYRA GRASIELLE CASTRO
postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
(foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Em uma tentativa de arrefecer a crise deflagrada com o pedido de demissão de Marta Suplicy do Ministério da Cultura, o Planalto articulou um movimento para esvaziar o gesto da senadora petista ; que, ao deixar a Esplanada, teceu críticas ao governo. A seis dias do prazo sugerido pelo chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para que os ministros, ;por uma questão de gentileza;, entregassem as cartas de demissão à presidente Dilma Rousseff, pelo menos 15 integrantes do primeiro escalão ; incluindo o próprio Mercadante ; já redigiram o pedido de saída. Muitos deles, entretanto, devem continuar no cargo.

O pedido de demissão coletiva, que só será analisado por Dilma a partir da semana que vem, quando ela retornar da reunião do G20, na Austrália, tornou-se um contraponto à carta de Marta Suplicy, que criticou a condução da política econômica do governo. A demissão da senadora petista será publicada no Diário Oficial de hoje.

Ontem, durante entrevista coletiva para tratar da pauta de competitividade da indústria, Mercadante explicou a ideia da demissão coletiva, alegando que a proposta surgiu de uma conversa dele com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do Planejamento, Miriam Belchior. ;É uma forma de demonstrar publicamente esse espírito que foi a campanha da presidente Dilma, de uma equipe nova em um governo novo: todo mundo formalizar essa gentileza para ela (a presidente) ter total liberdade;, ponderou.

Logo em seguida, Mercadante retificou o raciocínio, acrescentando que, mesmo sem esse ;ato de gentileza;, a presidente tem toda liberdade para trocar a equipe ministerial. ;Ela foi eleita, vivemos em um regime presidencialista e ela pode trocar o ministro que quiser quando achar oportuno. Mas é um gesto e, com todos os que conversei pessoalmente, foi entendido como uma gentileza. Um gesto de agradecimento e reconhecimento pela honra de ter participado deste governo;, emendou o chefe da Casa Civil.

O ministro também minimizou as críticas da ex-ministra. ;A Marta é um quadro importante para São Paulo e no Senado Federal, especialmente agora que o (senador Eduardo) Suplicy não estará mais lá (a partir de 2015). Ela tem um papel importante no debate no Senado e tenho certeza que o cumprirá. Nosso partido tem raízes profundas, ela participou de toda essa construção;, ressaltou. Perguntado sobre a possibilidade de a petista sair do PT para disputar a prefeitura de São Paulo em 2018, o ministro foi enfático: ;Não trabalho com esse cenário;. Presidente da República em exercício, o peemedebista Michel Temer também rechaçou a hipótese de a petista migrar para o PMDB.

;Nada de errado;
De Doha, onde participou de um encontro bilateral antes do G20, Dilma evitou polemizar a saída de Marta. ;A ministra Marta não fez nada de errado, não teve atitude incorreta, seria uma injustiça criticá-la. Ela me disse o teor da carta antes de eu viajar. Logo depois da minha eleição, disse que sairia e eu aceitei. Ela me disse que enviaria uma carta;, disse.

A presidente também negou que tenha estabelecido prazo para os ministros entregarem cartas de demissão. ;O palácio não fala, é integrado por paredes mudas. Só quem fala sobre reforma é essa pessoa modesta que vos fala aqui;, disse. Ela enfatizou que a reforma ministerial não começa na terça-feira, quando retornará de viagem. ;Vou fazer por partes;, afirmou.

A expectativa é de que esse fatiamento da reforma, confirmado pela presidente, comece pela equipe econômica, como uma maneira de sinalizar ao mercado os rumos do próximo mandato. Muitos nomes já foram especulados para o Ministério da Fazenda, mas o ciclo de apostas está concentrado em Henrique Meirelles (grupo JBS e ex-presidente do Banco Central), Nelson Barbosa (ex-secretário executivo da Fazenda) e Luiz Carlos Trabuco (do banco Bradesco).


Movimentação na Esplanada
Entregaram a carta de demissão


Aloizio Mercadante (PT) ; Casa Civil


José Eduardo Cardozo (PT) ; Justiça


José Henrique Paim (PT) ; Educação


Marta Suplicy (PT) ; Cultura


Miriam Belchior (PT) ; Planejamento


Manoel Dias (PDT) ; Trabalho


Clélio Campolina ; Ciência e Tecnologia


Marcelo Neri ; Secretaria de Assuntos Estratégicos


Mauro Borges ; Desenvolvimento, Indústria e Comércio


Thomas Traummann ; Secretaria de Comunicação


Vão colocar o cargo à disposição até a semana que vem


César Borges (PR) ; Portos


Paulo Sérgio Passos (PR) ; Transportes


Edison Lobão (PMDB) ; Minas e Energia


Garibaldi Alves (PMDB) ; Previdência


Gilberto Occhi (PP) ; Cidades

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