Novos delatores na Lava-Jato

Novos delatores na Lava-Jato

postado em 13/11/2014 00:00

A Operação Lava-Jato, que investiga crimes de lavagem de dinheiro, inclusive na Petrobras, tem pelo menos nove delatores, segundo estimativa do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Além da colaboração premiada prestada pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, já homologada, há três prestes a serem analisadas pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavaski. Janot disse que recebeu essas colaborações entre segunda-feira e terça-feira. Há outras ;cinco ou seis; delações em curso executadas pela força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, entre elas a do doleiro Alberto Youssef.

Além de Paulo Roberto e Youssef, há executivos de empresas, servidores públicos e outros doleiros. ;Há possibilidade de que existam mais;, afirmou Janot, ontem à noite. ;O fenômeno que está acontecendo é que quanto mais pessoas vêm e procuram o MP para falar outras se sentem incentivadas de vir também.;

Na semana passada, Janot pediu ao Supremo para abrir inquéritos contra políticos com foro privilegiado no STF com o intuito de começar a checar as informações prestadas na delação de Paulo Roberto Costa. Como exemplo, ele citou buscar uma conta-corrente em um banco no exterior onde haveria dinheiro desviado da Petrobras. Mas recuou até receber mais informações de outras colaborações premiada, pedindo mais 30 dias, que podem ser prorrogados por até 45 dias, para dividir a investigação entre quem tem foro e quem não goza do benefício. A ideia é dividir os inquéritos ao máximo possível.

Janot admitiu, como mostrou o Correio, que estão paradas as investigações para checar as acusações de Paulo Roberto. ;A delação em si não serve nem como prova. Estamos colhendo primeiro o caminho das provas. Como eu vou no meio do caminho colher provas e parar a coleta das informações?;, disse o procurador-geral. Por causa da falta de divisão do caso, as investigações estão paradas no Paraná, mas Janot entende que essa é a melhor escolha. ;Nós temos que fazer uma opção técnica;, avaliou. Janot defendeu que os políticos continuem sendo julgados nas turmas do STF para apressar os processos. (EM)

Benefício, só após pagar dívida
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, concluiu que o ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) só poderá ter direito a migrar do regime semiaberto para o aberto se comprovar a devolução aos cofres públicos de R$ 536.440,55. Segundo o procurador-geral, no caso de condenados pelo crime de peculato, a devolução do dinheiro é condição necessária para a mudança na modalidade de detenção. A defesa dele, no entanto, alega que o benefício independe de reparação. Cunha cumpre pena desde 4 de fevereiro, em Brasília, por envolvimento com o esquema do mensalão. Ex-presidente da Câmara, ele foi condenado a 6 anos e 4 meses de detenção. (Daniela Garcia)

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