Protesto em Guerrero incendeia parlamento

Protesto em Guerrero incendeia parlamento

Multidão invade a Assembleia Legislativa no sul do país e ateia fogo ao plenário e à biblioteca. ONU vai ajudar a elucidar mistério sobre 43 jovens sequestrados

postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Pedro Pardo/AFP

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(foto: Pedro Pardo/AFP )


Pelo menos 500 professores e estudantes invadiram a Assembleia Legislativa do estado de Guerrero, no sul do México, e atearam fogo ao plenário e à biblioteca. As chamas chegaram ao salão onde ocorrem as sessões plenárias, mas foram debeladas a tempo por seguranças. Pelo menos cinco veículos estacionados em frente ao prédio foram queimados. Os gabinetes dos deputados acabaram destruídos. Horas antes, a Secretaria de Educação também tinha sido alvo da multidão enfurecida. No estado de Michoacán, o acesso ao aeroporto de Morelias foi fechado pelos manifestantes, seguindo uma ação realizada dias antes no aeroporto de Acapulco, também em Guerrero. Três rodovias federais e duas cabines de pedágio foram tomadas, e cerca de 2 mil manifestantes saíram em marcha pela cidade de Iguala, onde os 43 estudantes normalistas foram vistos pela última vez.

O subsecretário das Relações Exteriores mexicano, Juan Manuel Gómez Robledo, encontrou-se ontem com o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra;ad Al-Hussein, para debater o desaparecimento dos jovens. No encontro em Genebra, o subsecretário acertou uma parceria com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh), que enviará especialistas independentes ao país para investigações paralelas. Em declaração à imprensa, Robledo rebateu acusações de que o governo teria demorado para atuar no caso.

Autoridades mexicanas comprometeram-se a não interromper as buscas, apesar de pistoleiros ligados a um cartel de narcotráfico terem confessado o assassinato dos jovens. Peritos argentinos divulgaram o resultado de exames de DNA realizados em 24 dos 30 corpos encontrados em fossas clandestinas poucos dias depois do sequestro. Segundo eles, o resultado descarta que os restos pertençam a algum dos jovens de Iguala.

Denúncia
Em outra frente de problemas para o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, aempresa Televisa Talento informou ter transferido à primeira-dama, Angélica Rivera, uma casa no bairro Lomas de Chapultepec, como parte de um contrato de exclusividade, segundo o site Aristegui Notícias. A propriedade fica nos fundos da mansão comprada por ela, poucos anos depois, de uma empresa que integra um consórcio vencedor de vultosos contratos com o governo federal. A origem da residência, avaliada em US$ 7 milhões, gerou uma polêmica sobre os bens da família do presidente. Ontem, políticos de oposição pediram que Peña Nieto preste esclarecimentos sobre a mansão, que não teria sido registrada na declaração patrimonial apresentada pela Presidência.

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