China e EUA acertam metas antipoluentes

China e EUA acertam metas antipoluentes

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 13/11/2014 00:00
Após meses de negociações, China e Estados Unidos, os dois países mais poluentes do mundo, firmaram ontem um inédito acordo para a redução das emissões de gases do efeito estufa. Pela primeira vez, Pequim estabeleceu uma data para iniciar a redução progressiva do lançamento de agentes tóxicos no ar: 2030. Washington se comprometeu a reduzir suas emissões entre 26% e 28% até 2025, voltando aos patamares de 2005. O acordo acontece um ano antes da Conferência do Clima de Paris. E embora tenha sido celebrado como um passo histórico em favor da proteção ambiental, ativistas do setor levantaram questionamentos sobre o compromisso.

China e EUA são responsáveis por 29% e 15%, respectivamente, das emissões de resíduos tóxicos em todo o mundo. O pacto firmado pelos presidentes Barack Obama e Xi Jinping destaca o ;papel crítico; de ambos os países no combate às mudanças climáticas. Apesar de não ter fixado uma meta específica, Pequim se comprometeu a alcançar um teto nas emissões de CO2 ;por volta de 2030;, com a intenção de ;tentar atingi-lo antes;. Os chineses também pretendem aumentar o uso de combustíveis não fósseis para 20% do consumo energético do país.

Obama e Xi concordaram em trabalhar juntos e com outras nações para adotar um protocolo global ;ambicioso; durante a conferência de 2015. Eles pretendem expandir a cooperação nas áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico para atingir seus objetivos. ;Temos uma responsabilidade especial para liderar o esforço mundial contra a mudança climática. Esperamos estimular todas as economias para que sejam mais ambiciosas;, disse Obama.

O acordo foi celebrado como um importante avanço para as negociações sobre o tema e alimentou expectativas por amplos compromissos em Paris. ;Os presidentes deram um sinal de que eles estão dispostos a superar interesses econômicos para reconhecer responsabilidade nessa questão;, salientou Li Shuo, chefe do setor de Clima e Energia do Greenpeace.

Shuo destacou que o compromisso pode ser um dos episódios mais importantes do século para as políticas de clima e energia. Mas levantou questionamentos sobre qual deve ser o pico a ser estabelecido por Pequim. Segundo o ativista, o compromisso ainda pode significar o encolhimento da indústria de carvão na China.

Nos Estados Unidos, o senador republicano Mitch McConnell, reeleito com o apoio da indústria carvão do estado americano do Kentucky, considerou o plano ;pouco realista;. O grupo ActionAid disse esperar cortes maiores por parte dos EUA.




"Temos uma responsabilidade especial para liderar o esforço mundial contra a mudança climática. Esperamos estimular todas as economias para que sejam mais ambiciosas;
Barack Obama, presidente americano





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