Saga para marcar exame no coração

Saga para marcar exame no coração

LUIZ CALCAGNO
postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 12/11/14)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 12/11/14)

A rede pública de saúde tem 530 pacientes à espera de um ecocardiograma. O exame, relativamente simples, é importante para diversos procedimentos cirúrgicos. Pode ser vital, por exemplo, para um paciente que sofra de algum tipo de cardiopatia. É o caso de Felipe Souza de Oliveira, 9 anos. Ele tem um estreitamento na aorta, a mais importante artéria do sistema circulatório. Felipe já passou por três cirurgias e os médicos avaliam a possibilidade de uma quarta intervenção. Mas o menino enfrenta muitas dificuldades para fazer o eco. Após quatro meses de espera no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), ele e a mãe, a dona de casa Íris Souza de Araújo, 35, receberam uma ligação na última terça-feira, informando que não havia médico e que a marcação estava suspensa por tempo indeterminado. A situação só mudou após a equipe do Correio entrar em contato com o ICDF. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão avisou que ele fará o exame amanhã.


Íris conta que procura a imprensa de tempos em tempos para garantir a agilidade no tratamento do filho, paciente do Sistema Único de Saúde (Sus). ;Esperamos por quatro meses. Ontem (terça-feira), no dia marcado, nos informaram que a médica responsável havia se demitido e que não havia previsão para uma consulta. Demora muito. Já cheguei a esperar um ano por um exame. Quero saber como está a saúde do meu filho, a evolução do tratamento e se teremos que enfrentar uma nova cirurgia;, disse.


Em uma das jornadas para dar continuidade ao tratamento do filho, ela acabou encaminhada para o Hospital da Criança de Brasília José de Alencar. ;A última consulta dele foi em 23 de julho. Antes disso, só conseguimos atendimento no Hospital da Criança. Não podemos ficar esperando. É muito simples para eles alguém ligar, comunicar o problema e ficarmos de mãos atadas;, lamentou.


Íris e o filho passaram por um problema semelhante em janeiro de 2012. À época, o sistema de marcação de consultas da Secretaria de Saúde mudou e ele foi encaminhado para o Hospital de Ceilândia. Felipe esperava para fazer uma ressonância magnética. Após procurar o Correio, a família conseguiu permanecer no Instituto de Cardiologia. Ontem, a resposta veio, novamente, depois da reportagem acionar o estabelecimento.

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