Farra dos piratas continua

Farra dos piratas continua

Rodoviários e governo não chegam a acordo, e greve prossegue hoje, prejudicando mais de 200 mil brasilienses. Com isso, veículos irregulares invadem a Rodoviária do Plano Piloto. Duas empresas menores retomam os serviços

MARYNA LACERDA
postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)


;Esses dias de greve têm sido horríveis. Moro no Itapoã, trabalho no Lago Sul e tenho que vir para a Rodoviária para tentar um ônibus para vir e para voltar. Dá medo porque os motoristas dos piratas enchem o carro de gente, avançam sinal vermelho em alta velocidade e não colocam cintos de segurança à nossa disposição. Só pego porque preciso mesmo;, conta a empregada doméstica Wille Tanan, 18 anos. Assim é o cotidiano dos brasilienses após oito dias de greve no transporte público do DF.

Na manhã de ontem, vans e ônibus irregulares paravam nas baias da Viação Pioneira, na Rodoviária do Plano Piloto, para embarcar passageiros para Paranoá, Itapoã, São Sebastião e mais seis regiões administrativas que estão sem o serviço. Na disputa por usuários, motoristas gritam, brigam entre si e quase arrastam quem passa perto dos veículos. A confusão provoca congestionamento na entrada do terminal e atrapalha os ônibus das outras companhias com concessão.

Outro problema é a alteração de trajeto no meio do percurso. Para fugir da fiscalização ou pegar mais passageiros, os donos de veículos irregulares descumprem o combinado. ;Eles falam que vão pegar um trajeto e depois largam a gente bem distante do lugar acertado;, diz a servidora pública Jaqueline de Souza Pereira, 28 anos. Moradora do P Sul, ela trabalha em São Sebastião e, durante a paralisação, tem chegado atrasada ao trabalho. ;A gente fica na mão dos piratas. Passamos perto e eles praticamente nos pegam pelo braço;, conta.

A paralisação dos rodoviários continua hoje. Representantes da categoria, do Governo do Distrito Federal e da Procuradoria-Geral do DF não chegaram a um acordo depois de reunião a portas fechadas na noite de ontem. O encontro para resolver a situação que prejudica mais de 200 mil brasilienses será retomado nesta quinta-feira. Os funcionários da Viação Pioneira e da Alternativa seguem com a paralisação, enquanto outras duas empresas decidiram retomar o trabalho na manhã de ontem. Com o impasse, a farra dos piratas continua.

O Sindicato do Comércio Varejista (Sindvarejista) se manifestou, por meio de nota, e informou que vai pedir ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) que tome as providências legais para acabar com a greve. ;A paralisação causa prejuízos a comerciantes e comerciários. Inúmeros funcionários de lojas chegam atrasados, causando transtornos ao comércio. Estamos a 43 dias do Natal, época em que as vendas começam a crescer;, completa a nota.

Retorno

Ontem, os trabalhadores da Cootarde voltaram às atividades depois de acordo que estabeleceu o pagamento de R$ 1,1 mil para os motoristas e R$ 600 para cobradores. Quem voltasse imediatamente ainda receberia um adicional de R$ 50 e R$ 30, respectivamente. A cooperativa tem 40 ônibus e atende as regiões de Gama e Santa Maria, no sentido Plano Piloto, além de Samambaia e Taguatinga. Mais tarde, a MCS também anunciou que voltaria ao trabalho. Ao todo, 55 mil pessoas são atendidas pelas duas empresas.

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