Dá para acreditar?

Dá para acreditar?

É a pergunta que vai martelar na cabeça do torcedor do Cruzeiro por duas semanas. Time celeste terá de repetir as façanhas do Atlético nas quartas de final e na semifinal para conseguir tirar o título das mãos do arquirrival

postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
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(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )


A noite de ontem ficará para a história do Independência, não importa o que ocorra daqui a 13 dias, no segundo jogo da final da Copa do Brasil. Será lembrada como a partida em que o Atlético-MG encaminhou seu primeiro título do torneio ou como o confronto em que o Galo cometeu o erro de não conseguir ampliar a vantagem de um jogo que dominou com facilidade. Vencer por 2 x 0 em casa, numa decisão em que o gol fora conta como desempate, seria o resultado dos sonhos. Isso se o próprio alvinegro não tivesse comprovado, nas quartas de final e nas semifinais, que tal vantagem é passível de virada.

A torcida atleticana encerrou o jogo cantando o ;Eu acredito; que tem embalado os resultados heroicos. Na decisão, quem terá de apelar para o sobrenatural é a torcida celeste, que acompanhou de casa uma exibição irreconhecível do líder do Brasileirão.

Com um volante a mais do que o habitual, o Galo chamou o Cruzeiro para jogar em seu campo. Escolha mais feliz, impossível. Num contra-ataque logo aos 8 minutos de partida, Bruno Rodrigo teve de isolar uma bola para evitar que Luan chegasse livre na grande área. O lance seguiu até Marcos Rocha cobrar um lateral na cabeça do mesmo Bruno, pegar rebote nas costas de Samudio e cruzar no limite da pequena área. Luan, do alto de seu 1,70m, se enfiou entre Léo e Mayke para cabecear e balançar as redes de Fábio.

O oitavo gol de Luan em 2014 foi o quinto dele na Copa do Brasil, número que comprova a efetividade do atleticano em partidas de mata-mata. O baixinho, porém, estava impedido no momento em que Marcos Rocha levantou a bola na área ; o auxiliar Rodrigo Henrique Corrêa, recém-promovido ao quadro da Fifa, não viu que ele estava mais de um corpo na frente dos adversários.

Atrás no placar, o Cruzeiro viu os ataques morrerem por causa das atuações imprecisas de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, mais lentos do que o normal e engolidos pela marcação de Josué e Leandro Donizete. Sem eles, a principal válvula de escape era Mayke, pela direita, mas o lateral não conseguiu completar nenhum cruzamento na cabeça de Marcelo Moreno. A bem da verdade, na única grande oportunidade antes do intervalo, foi o Galo a quase ampliar o placar, mas, aos 33, Fábio espalmou chutaço de Dátolo.

Mais espaço
Na etapa final, os dois times tiveram mais espaço para jogar. Ainda assim, seguiram nervosos, errando muito mais passes do que o normal. Com Nilton no lugar de Lucas Silva, o Cruzeiro passou a levar mais vantagem no meio-campo, ao equilibrar a disputa física. Ainda assim, seus principais craques continuaram batendo contra a defesa rival. Bom para o Galo, que, aos 13, chegou ao gol com uma jogada manjada. Marcos Rocha cobrou lateral com força e encontrou Carlos, que ajeitou para Dátolo ser premiado com um gol após chute firme e rasteiro: o melhor em campo estava livre na entrada da área quando pegou a bola.

Pressionado a correr contra o tempo, o Cruzeiro se limitou a chutões e lançamentos desde a defesa, todos eles infrutíferos. Se o Galo não enterrou a decisão de vez no Horto, foi graças a Fábio, que salvou o resultado aos 42, quando defendeu chute de Tardelli à queima-roupa, e aos 45, ao repetir milagre em finalização de Marcos Rocha.

O jogo de volta da decisão da Copa do Brasil está marcado para o Mineirão, daqui a duas semanas. O Cruzeiro, mandante, já vendeu mais de 35 mil ingressos para o confronto decisivo. Antes disso, os dois times enfrentam uma pequena maratona no Campeonato Brasileiro. A Raposa enfrenta Santos, Grêmio e Goiás; o Galo encara Figueirense, Flamengo e Internacional.


Baixa na decisão
A expectativa era de nervosismo na primeira partida da final da Copa do Brasil. A passividade do Cruzeiro, porém, deixou que o jogo fosse disputado na bola, com poucos lances ríspidos. Dos seis jogadores que entraram em campo pendurados, só um deles levou o terceiro cartão amarelo e vai perder a decisão: o volante Josué, advertido aos 41 minutos do segundo tempo depois de um erro de Marcos Rocha. O outro amarelado do jogo foi Samudio, aos 46 da etapa final.


Mermória

Nunca antes...
Em cinco decisões um time abriu 2 x 0 na partida de ida. O resultado nunca foi revertido. Em 2012, o Palmeiras bateu o Coritiba e segurou empate por 1 x 1. Em 2011, o Santos abriu 2 x 0 e levou 2 x 1 na sequência. Em 2009, o Corinthians superou o Inter e empatou o jogo seguinte por 2 x 2 para levar a taça. Em 2006, deu Flamengo, com duas vitórias: 2 x 0 e 1 x 0. Em 2005, o Paulista venceu o Fluminense em casa e ficou num empate sem gols no Maracanã.


;Fizemos um grande resultado. Sabemos o quanto é difícil correr contra um 2 x 0;
Diego Tardelli, atacante do Atlético-MG


FICHA

ATLÉTICO-MG 2 x 0 CRUZEIRO


ATLÉTICO
Victor; Marcos Rocha, Jemerson, Leonardo Silva e Douglas Santos; Josué e Leandro Donizete; Luan (Marion), Dátolo e Carlos; Diego Tardelli
Técnico: Levir Culpi

CRUZEIRO
Fábio; Mayke, Léo, Bruno Rodrigo e Samudio; Lucas Silva (Nilton) e Henrique; Everton Ribeiro (Julio Baptista), Ricardo Goulart (Dagoberto) e Willian; Marcelo Moreno
Técnico: Marcelo Oliveira

Gols: Luan, aos 8 minutos do primeiro tempo; Dátolo, aos 13 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Josué e Samudio
Público e renda: não divulgados
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)

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