Perda pode ir a R$ 26 bi

Perda pode ir a R$ 26 bi

postado em 19/11/2014 00:00

A baixa contábil nos balanços da Petrobras, reconhecida como necessária pela presidente da empresa, Graça Foster, pode ser de US$ 10 bilhões, o equivalente a R$ 26 bilhões, segundo analistas do banco UBS. A estatal adiou a divulgação dos resultados do terceiro trimestre porque a Pricewaterhouse Coopers (PwC), responsável pela auditoria externa, não quis avalizar os dados, devido ao escândalo de corrupção no qual a petroleira está afundada. A revisão dos números deverá reduzir o valor dos ativos.

Ontem, o UBS cortou a recomendação para as ações ordinárias da empresa de compra para neutra e reduziu o preço-alvo do papel de R$ 20 para R$ 15, segundo relatório enviado a clientes. ;Nós nos tornamos mais negativos em relação à Petrobras nas últimas duas semanas e cortamos substancialmente nossas estimativas de lucro por ação para 2014-2016, refletindo um real mais fraco ante a alta alavancagem da companhia e a hipótese de uma baixa contábil de US$ 10 bilhões, principalmente em projetos de refino;, disseram os analistas Lilyanna Yang e Carlos Herrera.

O UBS justificou a medida com base na pressão sobre os custos da Petrobras, que terá capacidade limitada de reajustar os preços nas refinarias, devido à deterioração da situação fiscal no Brasil e à queda no preço do petróleo Brent no mercado internacional. ;Nós vemos a necessidade de US$ 45 bilhões em emissão de dívida em 12 meses, que provavelmente virão com custos mais elevados ou com maiores temores do mercado de ações no contexto do escândalo de corrupção, que levou a um atraso na divulgação dos resultados do terceiro trimestre;, diz o relatório.

Diferenças
Na opinião do analista de investimentos e consultor Robson Pacheco, atrasar a publicação do balanço foi uma atitude prudente. ;Entregar os números dentro do prazo e comprometer as informações, que poderão ter ajustes significativos, colocariam os investidores em risco;, disse. Para Pacheco, a companhia deverá fazer uma provisão ou um contingenciamento dos valores referentes às diferenças em relação aos contratos com as empreiteiras envolvias no pagamento de propinas. ;Se tentar fechar o balanço, vai demorar muito tempo, porque os números ainda precisam ser avaliados por auditorias externas. O correto seria fazer uma provisão e promover um ajuste depois;, explicou.

Contudo, o analista assinalou que, para tranquilizar o mercado, seria importante a Petrobras anunciar, com o provisionamento, quando serão feitos os ajustes, se no trimestre seguinte ou no fechamento do balanço deste ano. ;A companhia não tem como acertar o valor das diferenças agora. O que pode fazer é um provisionamento para mais ou para menos;, alertou. (SK)

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