BC admite elevar mais os juros

BC admite elevar mais os juros

Durante divulgação do Boletim Regional, diretor do Banco Central sinaliza com nova alta da Selic ainda este ano

» DECO BANCILLON
postado em 19/11/2014 00:00
 (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 22/12/11)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 22/12/11)



O Banco Central (BC) poderá elevar a intensidade do aperto nos juros já em dezembro e se tornar ainda mais rigoroso no combate à inflação, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, a partir de 2015. A radicalização no combate à carestia foi uma das sinalizações dadas ontem pelo diretor de Política Econômica do órgão, Carlos Hamilton Araújo, tido como um dos integrantes mais conservadores do Comitê de Política Econômica (Copom).

Num discurso contundente em Florianópolis, onde comandou a divulgação do mais recente Boletim Regional, Hamilton não deixou margem a dúvidas sobre os próximos passos da política monetária. ;O BC não será complacente de forma alguma com a inflação;, disparou, para emendar: ;Se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a garantir a prevalência de um cenário benigno para a inflação nos próximos anos;, assinalou.

O recado não podia ser mais claro. Se, em outubro, o BC surpreendeu o mercado financeiro ao anunciar uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, quando o consenso dos economistas apontava para a manutenção em 11% ao ano, agora a probabilidade é de um aperto ainda maior, de 0,50 ponto, na última reunião do Copom do ano, marcada para o início de dezembro.

Com isso, a autoridade monetária espera assegurar a queda da inflação não neste ano, mas, sobretudo, entre o fim de 2015 e meados de 2016, que é o horizonte de trabalho dos diretores do BC. Simulações feitas pelo órgão dão conta que, apenas no fim de 2016 é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuaria para próximo do centro da meta de inflação, de 4,5% ao ano, que não é alcançado desde 2009. Até então, o entendimento do mercado era que o BC poderia conduzir a política monetária numa espécie de banho-maria para atingir as metas de inflação.

Aposta
Para isso, apostaria todas as fichas na desaceleração da economia e na promessa de que, em 2015, no primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, a política fiscal seria mais austera, o que ajudaria a reduzir a pressão sobre a inflação. Não por acaso, as principais instituições financeiras ainda mantinham, à véspera da última reunião do Copom, indicações de que os juros permaneceriam inalterados em 11% ao ano até dezembro de 2015.

O que ninguém contava era que a alta do dólar poderia jogar por terra esse planejamento. Desde o relatório de inflação divulgado pelo BC em setembro, a previsão de que o IPCA entraria em ;trajetória de conversão à meta; de 4,5% em 2016 contava com uma estimativa de que o dólar chegaria, ao fim de 2014, em R$ 2,25. Mas, em dois meses, a moeda norte-americana avançou 10%, patamar que, ao persistir por 12 meses, teria como impacto elevar a inflação anual em 0,5 ponto. Isso, num momento em que o IPCA acumula alta de 6,59%, em 12 meses até outubro.

Não por outro motivo,o BC apontou no comunicado pós-reunião do Copom que a elevação dos juros se devera, entre outros motivos, à intensificação dos ;ajustes de preços relativos; na economia. Fora uma clara menção à alta do dólar e ao motivo pelo qual o BC classificou que o ;balanço de riscos para a inflação;. Naquela época, o dólar havia chegado a R$ 2,45. ;Agora, está acima de R$ 2,60 e ninguém sabe ao certo para onde vai, porque esse patamar está bem acima do que as projeções do mercado;, disse o economista-chefe da LCA consultores, Bráulio Borges.

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