Fanatismo assassino

Fanatismo assassino

rodrigo craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 19/11/2014 00:00


Imagine-se ajoelhado, com as mãos amarradas, subjugado pela sanha assassina de um fanático religioso. O executor profere um discurso em árabe. Tudo o que você consegue perceber é a voz carregada de ódio impiedoso e o medo que se apossa de seu corpo em forma de espasmos e tremores. Desesperado, busca o ar em vão. A navalha fria e cega separa-lhe a cabeça do corpo. Depois de meses de tortura numa cela pequena, você morre por uma causa que nem é sua. Talvez sua família nem tenha a chance de enterrá-lo.

Mais de 1,4 mil pessoas foram brutalmente executadas pelo Estado Islâmico, grupo terrorista que impõe uma versão distorcida e doentia do islã a ferro e fogo. Muitas delas foram transportadas como gado na caçamba de um caminhão e fuziladas numa cova coletiva. Outras acabaram crucificadas e desmembradas. Mulheres yazidis ; etnia que crê no demônio como anjo bom ; se viram forçadas a se tornar escravas sexuais, atendendo às perversões de militantes.

O horror cometido pelos jihadistas é inominável. James Foley, Steven Sotloff, David Haines, Peter Kassig e tantos outros foram vítimas de assassinos que deturpam o Corão e violam a fé em Alá. Caridade, devoção e benevolência são marcas do islamismo em sua acepção não fanatizada. Os extremistas do Estado Islâmico impõem a milhões de sírios e iraquianos uma interpretação estrita e ultrarradical da sharia (lei islâmica) em sua busca utópica por instalar um califado global e sem fronteiras.

A alucinação coletiva de Abu Bakr Al-Baghdadi e de seu séquito de matadores precisa ser contida pela comunidade internacional, antes que os extremistas transfiram sua guerra do Oriente Médio para outras regiões do planeta. A intervenção do Estado Islâmico na Síria e no Iraque remete, de certa forma, à ascensão do Talibã no Afeganistão. Os jihadistas ameaçam mergulhar os dois países em uma era de trevas, implantando um governo clandestino tirânico e sepultando as liberdades individuais.

Mais cedo ou mais tarde, o Ocidente será alvo da mesma intolerância e do horror. Na Austrália, as autoridades desmantelaram um complô de muçulmanos inspirados pela facção para decapitar civis. No Canadá, um atirador levou o terror ao parlamento. Ou o mundo se une para extirpar esse tumor ou a democracia corre o risco de ser sufocada. Estamos todos com a faca no pescoço.



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