Premiê antecipa eleição

Premiê antecipa eleição

LUCAS FADUL
postado em 19/11/2014 00:00
 (foto: Kazuhiro Nogi/AFP)
(foto: Kazuhiro Nogi/AFP)



Encurralado pela volta da recessão na economia japonesa, o primeiro-ministro Shinzo Abe decidiu dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, possivelmente em dezembro. Em entrevista coletiva, ontem, Abe comunicou à bancada do Partido Liberal Democrático (PLD) que a medida será oficializada ainda nesta semana. Eleito em 2012, justamente com a missão de tirar o país da estagnação, o premiê indicou ainda que o governo deve adiar o segundo aumento do imposto sobre o consumo. ;A vida das pessoas não vai melhorar sem crescimento econômico;, explicou o conservador, que resolveu desafiar nas urnas a própria impopularidade, contando com disputas internas que enfraquecem a oposição.

;Vou dissolver a Câmara Baixa no dia 21 (de novembro);, declarou o premiê na reunião extraordinária do PLD. Com a medida, o chefe de governo tenta cooptar o apoio dos cidadãos para levar adiante o plano com o qual ambiciona fazer o país crescer novamente. ;Preciso ouvir a voz do povo;, disse. ;Pedirei demissão se não conseguirmos manter a nossa maioria, porque isso significaria a rejeição da ;Abenomics;;, acrescentou, em referência ao pacote de política econômica lançado por ele há pouco menos de dois anos, balizado pelo estímulo fiscal, pelo afrouxamento do controle monetário e por reformas estruturais.

;É muito complicado pensar em reeleição, porque a meta do primeiro-ministro era alcançar a recuperação;, afirmou ao Correio Joanisval Gonçalves, doutor em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). ;Quando o país entra em recessão, isso é, efetivamente, um sinal de que Abe não obteve êxito.; De acordo com a agência de notícias France-Presse, as estatísticas de crescimento divulgadas na segunda-feira são catastróficas: o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão sofreu uma contração de 0,4% no terceiro trimestre, após queda de 1,9% no segundo.

Na avaliação de Joanisval, a retomada do crescimento econômico não deverá ser alcançada pelo atual primeiro-ministro. ;A perspectiva é que, com o planejamento adequado, eles consigam se recuperar. De qualquer maneira, será difícil. Não percebo essa recuperação em curto prazo, por mais que o Japão seja sempre surpreendente;, analisa. ;A recessão é resultado de uma economia que cresceu pouco, se mostrou lenta em termos de resposta e segue abalada pelo acidente nuclear de Fukushima (em 2011).;



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