Otimismo em baixa nas lojas

Otimismo em baixa nas lojas

Pesquisa da Federação do Comércio revela que a maioria dos empresários prevê aumento de apenas 4,5% nas vendas no Natal, uma queda de quase oito pontos percentuais em relação à expectativa de 2013. Quase metade dos comerciantes não reforçou os estoques

FLÁVIA MAIA
postado em 19/11/2014 00:00
 (foto: Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press)

Nem mesmo o Natal está empolgando o varejo no Distrito Federal. Considerada a data mais importante em volume de vendas, a expectativa dos lojistas para o fim do ano é de um incremento tímido, de 4,5%, o menor dos últimos cinco anos. Em 2013, a aposta era de uma alta de 12,12%. De acordo com os dados da pesquisa Expectativa de Vendas dos Lojistas para o fim deste ano no Distrito Federal, realizada pela Federação do Comércio do DF (Fecomércio), menos da metade (42,3%) dos empresários acreditam que o volume de negócios vai superar o ano anterior, 57,6% preveem que o desempenho será igual ou inferior.


Para os representantes da Fecomércio-DF e da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-DF), a baixa expectativa em relação ao Natal era esperada, uma vez que o ano foi ruim para o segmento. ;O pessimismo do comércio decorre em muito da conjuntura que o país vive: tivemos uma Copa que não rendeu como esperávamos, uma troca de governo local, inseguranças políticas e sinais de desemprego. Ainda por cima vivemos uma situação econômica complicada, juros altos e uma recessão técnica;, analisa Álvaro Silveira Júnior, presidente da CDL-DF.


Um dos reflexos da cautela do empresariado está na formação de estoque para o Natal. Segundo a sondagem da Fecomércio-DF, a um mês e meio das festas de fim de ano, 15% dos entrevistados não decidiram se formarão estoque e 30% pretendem manter a mesma quantidade de mercadorias de 2013, o que significa que 54,3% das lojas estão investindo no volume de produtos disponível nas prateleiras. No ano passado, o mesmo indicador mostrou que 62,61% dos empresários reforçariam o estoque, índice oito pontos percentuais superior ao de 2014.


Adelmir Santana, presidente da Fecomércio-DF, afirma que o endividamento das famílias e os juros altos contribuíram para o desaquecimento nas vendas em 2014. ;As famílias nunca estiveram tão endividadas e, ainda por cima, estão com a inflação corroendo o orçamento doméstico. Por isso elas vão gastar menos no Natal e o comércio sentiu isso. Acredito que as famílias não vão deixar de fazer as compras de Natal, mas vão gastar menos e procurar alternativas;, defende.
A família das irmãs Neide Frazão, 47 anos, e Maria Pereira dos Santos, 38, começou a planejar um Natal mais modesto neste ano. ;A situação financeira está complicada. Os preços estão altos e a família é muito grande. Hoje, com R$ 50 você não compra quase nada;, comenta Neide. Segundo Maria Pereira, a opção encontrada pelos familiares para trocar presentes foi o tradicional amigo secreto. ;Resolvemos fazer a brincadeira só de lembrancinha mesmo, com preços entre R$ 10 e R$ 20;, conta.


A assistente administrativa Karina Martins Rios, 35 anos, também sentiu o orçamento doméstico ficar mais apertado nos últimos meses, principalmente pelo fato dela ter perdido o emprego devido à falência da empresa em que trabalhava. ;Estamos agora só com a renda do meu marido e, além disso, a comida está muito cara e o impacto é grande no dia a dia;, diz. Para o Natal, Karina prevê que não conseguirá dar à filha Lorena o notebook que ela pediu. ;É um presente caro e não poderemos comprar agora, mas a Lorena entendeu e disse que, para ela, o que importa é estar conosco (eu e o pai) com paz e amor;. De acordo com a pesquisa da Fecomércio-DF, o preço médio do presente subiu 3,27% em relação a 2013 e deve ser de R$ 141,48.

Cautela
Embora os lojistas mostrem cautela em relação às vendas de Natal, alguns segmentos acreditam em alta nas vendas. É o caso do setor de supermercados, que espera alta de 14,3% e de calçados com 11,30%. A pesquisa da Fecomércio mostrou também que 61,67% dos entrevistados pretendem implementar estratégias para aumentar a comercialização.
A empresária Ana Paula Bandeira Braga é um exemplo. Ela é proprietária de onze lojas da franquia de acessórios Morana. Mesmo com as vendas desaquecidas em 2014, ela espera vender de 3 a 5% mais do que o Natal de 2013, por causa do tipo de produtos ; bijuteria e semijoia ; e também por causa das campanhas publicitárias que a rede fez. Uma delas foi sortear um carro por mês desde agosto, antecipando o Natal. ;Este ano foi muito ruim, por isso, a franquia decidiu fazer a promoção para trazer o fluxo de clientes para a loja desde agosto;, conta.

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