Crônica da Cidade

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Conceição Freitas conceicaofreitas.df@dabr.com.br
postado em 19/11/2014 00:00
Crônica chatinha

Chato é aquele sujeito que vai avisando: ;Não querendo ser chato;; e dá-lhe chatice.

É uma chatice o que virá, embora eu tenha quase sempre a preocupação de oferecer ao estimado leitor o que tenho de melhor. Nem sempre dou conta de cumprir os meus propósitos. Mas hoje nem mesmo vou tentar.

Por livre arbítrio de cronista, vou dedicar esse altinho de página a agradecimentos. O país está estremecendo, a cidade está falindo, os deputados distritais chegaram ao fundo do poço do corporativismo tacanho e desavergonhado, e eu dedicarei este cada vez mais precioso espaço de seis colunas em papel-jornal para designar gratidões.

Alguém incorpóreo e inominado me soprou ao ouvido: é hora de agradecer. Durante boa parte da vida, não senti necessidade de agradecer nada a ninguém. As graças que recebia eram nada mais nada menos que meu direito ; como pensam as crianças e os arrogantes. Gostar de mim era mais que natural. A minha existência, por si só, já era suficiente para merecer o afeto dos amigos.

Demora-se muito para deixar de ser tolo. Tem gente que nasce e morre acreditando que está para os demais humanos como o Sol está para a Terra.

Depois que descobri Copérnico, mudei a órbita do meu viver. Daí que aproveito esta quarta-feira de novembro do ano da graça de 2014 para agradecer ; por existir, por fazer parte da minha vida ; ao Juliano, à Clarinha, ao Severino, à Nahima, à professora de história na faculdade, ao motorista que trafegava na Belém-Brasília numa tarde trágica de janeiro de 1974, à Âmbar, à Jansy, à Tomásia, aos Gilbertos, à Vitória, às Anas, à Filó, à Iara, à Linda, aos Joões, ao Iano, à Nonô, ao Jaime, à Estela, à Lucinha, ao Diego, à Cristina, à Gracinha, à Muskan, ao Juba, ao Nicolas, ao professor de filosofia da faculdade, ao Vladimir.

A dom Pedro, ao Aldo, ao Andrey, ao Vicente, ao Honorato, ao Weber, ao André, à Rosane, ao seu Antônio, à Fátima, à Sylvia, ao Eduardo, ao Elias, ao Ralph, ao Paulito, aos Daniels, à Dad, aos Carlos, aos dois rapazes que ajudaram a empurrar meu carro dias atrás, à Yale, aos Ricardos, à Paloma, ao Fred, à Flávia, ao Lourenço, à Marina, à Sandra, aos Gustavos, aos Ricardos, às Teresas, aos Paulos, à Cristine, à Vera, à Carmem, aos Zés, ao Silvestre, ao dr. Caio, à Senhora, à Janine, à Zuleika, ao Plácido, ao Simpatia, aos Sérgios, aos Armandos, ao Rosualdo, ao Luís Humberto. Ao Arquivo Público.

Ao Márcio, aos amigos que o tempo levou, à Liana, ao Tubarron, ao Fernando, à Maria Elisa, à Adriana, ao Leo, à Érica, à dra. Ana, ao Claudinho, aos Renatos, aos Chicos, às Márcias, à Suely, ao Lafetá, aos Silvios, às Cidas, às Denises, à Lídia, às Helenas, à Gidália, à Elisa, aos leitores, aos candangos, a Brasília, a Oscar, a Lucio, a Sayão, a Juscelino.

Aos muitos outros mortos queridos. Aos que conheço e não me conhecem, e que me fazem muito bem. Aos que escrevem o que eu gostaria de ter escrito. Aos que tem paciência comigo; aos que conseguem me entender; aos que me aceitam mesmo sem me entender; aos que me perdoam; aos que aceitam meu perdão.

Aos que me dizem verdades ; poucos são os amigos que se dispõem a dizer verdades. Portanto, aos amigos e inimigos que me dizem verdades. A todos os que me querem bem, e aos que, mesmo não me querendo bem, me fizeram bem.

P.S.: faltou gente, acabou o espaço.

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