As casas de Picasso e Vuitton

As casas de Picasso e Vuitton

Depois de passar por uma reforma que durou cinco anos, foi reaberto o Museu Picasso, que guarda 5 mil obras do pintor espanhol, inclusive da coleção particular. Além do estabelecimento, a Fundação Vuitton tem nova sede, com 11 galerias

» Marlyana Tavares
postado em 19/11/2014 00:00
 (foto: Fotos: Benoit Tessier/Reuters - 18/10/14 )
(foto: Fotos: Benoit Tessier/Reuters - 18/10/14 )

Quem ama Paris tem dois motivos extras para voltar e quem nunca foi tem dois a mais para reservar a passagem e a hospedagem. Principalmente, se gosta de arte. Depois de cinco anos de reforma, acaba de ser reaberto o novo Museu Picasso, classificado pelo presidente francês, François Hollande, como ;um dos mais belos do mundo;. São nada menos do que 5 mil obras, a coleção mais completa do pintor espanhol, nascido em 25 de outubro de 1881. Há também pinturas da coleção particular de Picasso, incluindo Renoir, Matisse, Cézanne, Le Douanier e Rousseau.

Cinco andares do Hôtel Salé, mansão barroca do século 17, foram renovados para dobrar o espaço disponível, agora de 3,7 mil metros quadrados. Os quadros foram doações da família, feitas em 1979 e 1990, uma coleção excepcional ; entre elas, 297 pinturas e 368 esculturas. A ex-diretora do museu Anne Baldassari foi quem idealizou a transformação, que custou 52 milhões de euros, ao lado do arquiteto Jean-François Bodin. Anne concebeu três circuitos de visita, entre eles um percurso magistral por três andares, que recriam o conjunto da obra até 1972.


A reinauguração do Museu Picasso coincidiu com a apresentação da Fundação Vuitton e a abertura da Feira Internacional de Arte Contemporânea, em uma intensa semana artística em Paris. Espera-se que 800 mil pessoas visitem a nova sede da Fundação Louis Vuitton, com 11 galerias.

A surpresa começa na arquitetura, que causa sensação: assemelha-se a um barco a vela de cristal, desenhado pelo incensado arquiteto Frank Gehry. Complexo, mas, ao mesmo tempo, leve e dotado de grande fluidez, o edifício de Gehry foi construído em uma pequena parte do Parque Bois de Boulogne, no oeste de Paris.

O edifício, deliberadamente, parece inacabado. Ele está aberto a mudanças e convida as pessoas a interagirem com ele. ;Olho para ele e penso em tudo que gostaria de modificar. Sete anos depois, já tenho outras ideias;, disse o arquiteto de 85 anos, que tem a retrospectiva de seus trabalhos exposta no Centro Pompidou.


Tecnologia
A fundação é cercada por 12 velas envidraçadas, cada uma com uma curvatura diferente. Elas saem do centro do edifício ; formando o que o arquiteto chama de ;iceberg; ;, sustentadas por um sistema sofisticado de vigas de aço e madeira. No topo, terraços ligados por escadas em diferentes níveis possibilitam a contemplação do Bois de Boulogne, dos arranha-céus do distrito empresarial de La Défense e da Torre Eiffel. Há ainda a ;Proa do navio;, um auditório se abre para uma ampla escadaria, pela qual desce uma cascata de água até uma lagoa.

;Foram necessários dois anos de estudo e trabalho, além de uma equipe de mais de 100 engenheiros de alto nível, para desenvolver uma tecnologia capaz de tornar realidade o desenho do artista;, disse Jean-Paul Claverie, conselheiro do presidente do grupo LVMH, Bernard Arnault.

No total, a fundação dispõe de 3,5 mil metros quadrados de galerias, para 11,7 mil metros quadrados de área útil e 4,5 mil metros quadrados no nível do solo. A capacidade é de aproximadamente 1,6 mil pessoas.


Para a inauguração, o artista islandês Olafur Eliasson, que terá uma exposição na fundação em sua homenagem, a ser aberta em dezembro, concebeu uma espécie de caleidoscópio, com espelhos imersos em uma atmosfera luminosa amarela, que se reflete na água da lagoa.

Já a diretora artística da Fundação Vuitton, Suzanne Pagé, ex-presidente do Museu de Arte Moderna de Paris, desenvolveu seis obras em ressonância com a arquitetura do edifício. Pagé, que orienta Bernard Arnault desde 2006, preparou para a ocasião uma ;seleção de obras emblemáticas; representada por um ;homem gigante na lama;, que reúne seis artistas, incluindo Christian Bolranski, Pierre Huyghe, Gerhar Richter e Thomas Schütte.


Conheça

Museu Picasso Paris

museepicassoparis.fr
5 Rue de Thorigny
Entrada: 11 euros ou 15 euros (com guia multimídia)

Fundação Louis Vuitton
fondationlouisvuitton.fr
8 Avenue du Mahatma Ghandi
Entrada: a partir de 9 euros






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