Demissões na estatal

Demissões na estatal

Simone Kafruni
postado em 20/11/2014 00:00
As denúncias de corrupção na Petrobras, apuradas pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, começaram a respingar no segundo escalão da companhia. Ontem, a petroleira demitiu um funcionário ligado à Diretoria de Engenharia, Tecnologia e Materiais. Ele faz parte de uma lista de 15 empregados suspeitos de irregularidades em contratações de obras em refinarias ; a maior parte deve ser demitida. Entre os possíveis exonerados também estaria Glauco Colepicolo, gerente-geral de Engenharia da estatal.

A demissão do funcionário ligado à Diretoria de Engenharia ocorreu como resultado de investigação de uma comissão interna da estatal que identificou supostos desvios de recursos em contratos com empreiteiras ligadas às obras da Refinaria do Nordeste (Rnest), em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Segundo uma fonte ligada à empresa, que preferiu não se identificar, o funcionário demitido era ligado ao ex-diretor Renato Duque, preso na última sexta-feira. A fonte, contudo, não revelou o nome do exonerado, que estaria lotado no centro de pesquisa da Petrobras (Cenpes). A demissão ocorreu enquanto a Polícia Federal tomava depoimentos de executivos de empreiteiras presos na última sexta-feira, no mesmo dia da detenção de Duque, ex-diretor de Engenharia.

Alguns suspeitos estariam ligados ao funcionário demitido e na lista de demissões da empresa, segundo a fonte. ;Não é suspeita de irregularidade, é um passo além. Eles já estão objetivamente na comissão como responsáveis;, afirmou a fonte. Outras demissões estariam em curso, após a realização de diversas sindicâncias internas, entre elas a de Glauco Colepicolo, gerente-geral de Engenharia da estatal.

Deflagrada em março de 2014, a Operação Lava-Jato foi lançada inicialmente para investigar um esquema de lavagem de dinheiro em vários estados, que seria comandado pelo doleiro Alberto Youssef. Dias após a prisão de Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi preso por suspeita de destruir documentos. Costa e Youssef firmaram acordos de delação premiada com a Justiça e os depoimentos dados por ambos levaram a uma nova fase da operação, em que foram presos Duque e os executivos das empreiteiras.

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