Citação de Cosenza foi erro, diz PF

Citação de Cosenza foi erro, diz PF

Segundo a Polícia Federal, o diretor da Petrobras teria sido mencionado por um equívoco e não há indícios de crime contra ele

EDUARDO MILITÃO
postado em 20/11/2014 00:00
 (foto: SIC/Divulgação)
(foto: SIC/Divulgação)

Houve ;erro material; na menção ao diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, como destinatário de propinas pagas pelo esquema revelado pela Operação Lava-Jato, esclareceu ontem a Polícia Federal. Em depoimentos tomados após as prisões dos executivos de empreiteiras na fase ;juízo final; da operação, alguns delegados interrogaram os suspeitos questionando se eles sabiam algo além de uma suposta acusação de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. A notícia serviu para se especular até a demissão do diretor da empresa, a fim de não contaminar a gestão da presidente Dilma Rousseff e da presidente da estatal, Maria das Graças Foster.

Ontem, o delegado Márcio Adriano Anselmo, um dos principais investigadores do caso, informou ao juiz da 13; Vara Federal, Sérgio Fernando Moro, que houve um mal-entendido. ;Não há, até o momento, nos autos, qualquer elemento que evidencie a participação do atual diretor no esquema de distribuição de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras;, esclareceu o policial.

O juiz havia questionado a PF a pedido das defesas dos suspeitos. ;Diante de informações constantes nos autos, acerca de indagações aos investigados acerca de supostos pagamentos efetuados a outro dirigente da Petrobras, José Carlos Cozenza, intime-se a autoridade policial para esclarecer se, de fato, há alguma prova concreta nesse sentido;, afirmou o juiz. ;Até o momento, este Juízo não foi informado de nada a esse respeito;, completou.

Segundo Anselmo, a menção ao atual diretor apareceu em vários interrogatórios. ;Por erro material, constou o nome de Cosenza em relação de eventuais beneficiários de vantagens ilícitas;, explicou o delegado. A confusão também se deu porque ele substituiu Paulo Roberto Costa na Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras. ;Em relação ao outro quesito em que se questiona se os investigados o conhecem, foi formulado apenas em razão de ele ter sucedido a Paulo Roberto Costa, área em que foram identificados os pagamentos, bem como por ter sido seu gerente executivo;, esclareceu o delegado.

Troca
Quando Dilma assumiu o Palácio do Planalto, trocou boa parte da diretoria da Petrobras. Além do presidente, José Sérgio Gabrielli, saíram da equipe Paulo Roberto e Renato Duque, que dirigia o setor de Serviços e Engenharia e na semana passada acabou preso pela Polícia Federal acusado de receber propinas do esquema. Até o momento, todas as suspeitas da Operação Lava-Jato recaem sobre a diretoria indicada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A acusação sobre Cosenza quebraria uma espécie de cordão de isolamento ao redor da gestão de Dilma Rousseff e Graça Foster.

Quando circulou a notícia do suposto envolvimento do atual diretor, ele e a Petrobras reagiram. ;O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, nega, veementemente, as imputações de que tenha recebido ;comissões; de empreiteiras contratadas pela Petrobras, ao tempo que reafirma que jamais teve contato com Alberto Youssef;, afirmou a petroleira em nota na segunda-feira.

A menção ganhou ainda mais força devido à presença de Cosenza ao lado de Graça Foster, no anúncio da criação de uma diretoria de governança dentro da empresa.

Acesso negado
Ontem, Sérgio Moro não autorizou o acesso dos investigados aos depoimentos prestados em regime de delação premiada por Paulo Roberto, Youssef, os executivos Júlio Gerín Camargo e Augusto de Mendonça Neto, da Toyo Setal, e o ex-gerente de Serviços Pedro José Barusco Filho. Segundo o juiz, as declarações de Paulo Roberto estão no Supremo Tribunal Federal e devem ser solicitadas ao ministro Teori Zavascki.

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