Brasília-DF

Brasília-DF

por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 20/11/2014 00:00
 (foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 2/6/14)
(foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 2/6/14)

Aliado ou adversário?

Alguns deputados petistas consideraram um ;golpe de mestre; o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Antônio Toffoli, entregar ao ministro Gilmar Mendes a relatoria das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff. Se Gilmar rejeitá-las, terá sido perseguição. Se aprová-las, estava tudo tão certinho que nem alguém visto como de oposição teve o que dizer.

Entre os mais governistas, entretanto, não é bem assim. Toffoli distribuiu o processo a Gilmar 12 horas depois de vencido o biênio do ministro Henrique Neves, que ainda tinha chance de ser reconduzido. Como a recondução não ocorreu, a praxe seria ter encaminhado os processos ao ministro substituto, no caso, Admar Gonzaga, que já foi advogado do PT na eleição passada. Gilmar, agora, inclusive já deu despachos no processo de forma a garantir a relatoria. Portanto, para muitos, foi um ;golpe de mestre; adversário sob encomenda para tentar levar a eleição a um terceiro turno.

Hoje, será julgado o agravo de instrumento para redistribuição do processo a outro ministro, que não Gilmar. Esse tema terá mais atenção do que a Lava-Jato.

Fase sete e meio
Os próximos dias da Lava-Jato serão dedicados a esperar as delações de empresários e de Renato Duque, que tiveram as prisões prorrogadas. Espera-se que eles apresentem mais elementos da distribuição a políticos.

Fase oito
Passada a etapa dessas prisões, os próximos serão os agentes políticos sem mandato. Há quem diga, relembrando a velha frase do programa de humor do finado Chico Anísio: ;Te cuida, Vaccari;.

Chama o ;Jaquito;
Não será surpresa se o governador da Bahia, Jaques Wagner, vier mais cedo para Brasília. Homem do diálogo e muito cordato, com pontes na oposição, ele é considerado peça-chave para ajudar na articulação política nesse clima de barata voa criado a partir da Lava-Jato.

E segue o cronograma
A ordem entre os congressistas aliados é mesmo encerrar o quanto antes o semestre. Mas, para isso, é preciso votar a Lei de Diretrizes Orçametárias de 2015 em quatro semanas. O difícil será conseguir quórum para fazer valer esse calendário.

E tem quem compre/ Diante dos altos valores de devolução de dinheiro da Lava-Jato, as lojas consideram que deve ter mesmo muita gente com dinheiro sobrando. Num shopping badalado de Brasília, uma bolsa de grife trazia um preço para esse padrão de desvio: R$ 25 mil. Isso mesmo. Só mesmo para quem ainda não fez a sua delação premiada, porque quem vive de salário ou é empresário sabe o valor do dinheiro; Fala sério!

O silêncio que deixa todos em suspense/ A oposição notou: o ex-presidente Lula até agora não deu uma declaração sobre as irregularidades da Petrobras.

Enquanto isso, na CPI da Petrobras;/ O relator, deputado Marco Maia (foto), do PT-RS, e o presidente da CPMI, Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), criaram um critério: só chamar a depor quem foi preso no processo. Ou seja, nada de seguir à frente da investigação da polícia.

Haja estômago/ Candidato a presidente da Câmara, o líder do PMDB, Eduardo Cunha, já tem 16 jantares agendados para as próximas quatro semanas de funcionamento do Congresso. Esses encontros serão às terças e às quartas-feiras, com grupos de 25 deputados. A ideia é chegar ao Natal com votos dignos de parecer um saco de Papai Noel. Se brincar, vai é sair deles com a silhueta do Bom Velhinho.

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