Ex-líder da Arena, Inocêncio se despede da Câmara

Ex-líder da Arena, Inocêncio se despede da Câmara

NAIRA TRINDADE
postado em 20/11/2014 00:00
 (foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados)
(foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados)

Sentado na cadeira do presidente da Câmara, o deputado federal Inocêncio Oliveira (PR-PE) encerrou ontem a última passagem pela Casa, onde trabalhou por 40 anos. Ele se lembrou do tempo em que presidiu centenas de parlamentares, negociou aprovações de projetos e defendeu propostas de interesse popular. Aos 76 anos e com problemas de saúde, como artrose e deficiência na audição, Inocêncio, emocionado, despediu-se das quatro décadas de vida pública na Câmara.

Parlamentar desde 1975, Inocêncio foi um dos líderes da Arena, partido governista que apoiou a ditadura militar (1964-1985). Depois, filiou-se ao PSD e foi deputado constituinte pelo extinto PFL (atual DEM), que liderou no auge da legenda, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Presidiu a Câmara entre 1993 e 1995. Em 2001, perdeu as eleições para o então deputado Aécio Neves.

Ao longo dos anos, Inocêncio ganhou o apelido de deputado guardanapo pelos vários postos que assumiu na Mesa Diretora da Câmara. ;Vou concluir meu mandato parlamentar no sentimento do dever cumprido e aposentar-me pela Previdência Social como qualquer trabalhador brasileiro;, discursou o deputado, que, em 2006, foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão por manter trabalhadores em condição análogas à escravidão em sua fazenda em Gonçalves Dias (MA). O inquérito acabou arquivado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Análise de vetos adiada
A reunião mensal do Congresso Nacional para votação de vetos presidenciais foi adiada ontem. Sem acordo para votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que também passa pela apreciação de senadores e deputados no plenário, foi feito acordo para que os vetos sejam analisados na próxima terça-feira. Entre os que estão pautados, há o projeto que regulamenta a criação de municípios no Brasil. A proposta divide os parlamentares e gerou uma crise entre o Congresso e a presidente Dilma Rousseff. Ainda não há acordo para a votação.

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