Planos ficam abaixo da média

Planos ficam abaixo da média

Levantamento da ANS mostra que 33% das operadoras de saúde, com mais de 9 milhões de usuários, têm desempenho insatisfatório

» BÁRBARA NASCIMENTO
postado em 20/11/2014 00:00
Uma em cada três operadoras de plano de saúde está abaixo da média quando o assunto é desempenho e satisfação dos beneficiários. Um levantamento divulgado ontem pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que mais de 9 milhões de usuários (17,4%) estão vinculados a empresas que deixam a desejar tanto na atenção à saúde, quanto na estrutura para atendimento.

E, para piorar, muitas delas estão com sérios problemas financeiros. Cerca de 1 milhão desses consumidores são clientes de operadoras consideradas ruins ou muito ruins pelo órgão regulador. Entre os planos odontológicos, a situação é ainda mais séria: quase 40% das empresas estão fora da faixa considerada positiva pela ANS. Esse grupo concentra 8% dos beneficiários, pouco mais de 1 milhão de pessoas.

O Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) medido pela ANS classifica as operadoras baseado em quatro fatores com pesos diferentes: atenção à saúde (40%), satisfação dos beneficiários (20%), estrutura e operação (20%) e situação econômico-financeira (20%). Com isso, chega-se a um indicador que vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor a nota da empresa (veja arte). Ficaram de fora todos os convênios em processo de direção fiscal ou sob regime especial.

A maior parte das 1,2 mil operadoras que passaram pelo crivo da ANS estão na faixa considerada positiva pela reguladora, entre 0,6 e 1. O percentual de empresas nesse intervalo, inclusive, tem subido desde 2011, quando o IDSS começou a ser medido.

;Mesmo assim, o universo de pessoas que estão vinculadas a convênios de avaliação mediana ou ruim é muito grande. São milhões de pessoas. E o consumidor deve ver essa nota como um parâmetro: se a empresa não tem um bom desempenho agora, poderá causar problemas maiores ao beneficiário mais à frente, como negativa de cobertura e falhas no atendimento;, apontou a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolcci.

Escolha
Conforme o gerente-geral de integração setorial da ANS, João Matos, o objetivo do levantamento é munir os consumidores de informação na tentativa de evitar escolhas erradas. ;Esse é o grande foco. O objetivo é que o público possa tomar as melhores decisões na escolha do plano. Ou até eventualmente para a troca de um plano;, explicou. Ele reconhece, contudo, que ainda há um longo caminho pela frente. ;Ainda há muitas operadoras que não são boas, mas a ANS está no processo para tornar o setor melhor;, disse.

Especialistas aconselham o beneficiário a não se ater a esses dados na escolha do plano. ;No IDSS, a opinião do usuário conta só 20%. Então, para tirar uma conclusão mais acertada, o melhor é procurar também o ranking de reclamação do Procon e da ANS;, explicou a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Joana Cruz.

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