"Vamos ver o que acontece"

"Vamos ver o que acontece"

Diego Ponce de Leon
postado em 20/11/2014 00:00
 (foto: Reprodução internet /Divulgação)
(foto: Reprodução internet /Divulgação)


Quando pequeno, Diego Bresani adorava se sentar com o avô e escutar as histórias de vida do patriarca da família. Entre tantas andanças, Bresani gostava em particular do período em que o avô, médico, morou em plena Amazônia peruana.

Toda vez que escutava sobre o leprosário de San Pablo, dirigido pelo Dr. Federico Bresani, o pequeno Diego se enchia de orgulho. Não somente por saber dos inúmeros pacientes que receberam um tratamento digno, mas por conta de um visitante ilustre, que passou certo tempo por ali. Foi no leprosário que Ernesto ;Che; Guevara melhor compreendeu a frágil condição da América Latina. Ali, nasceu o revolucionário. E o avô de Bresani viu tudo de perto. ;O respeito que o Dr. Bresani emana é notável. Ele, claramente, coordena toda a colônia;, escreveu o próprio Che, em um de seus diários.

Boas histórias para contar. É justamente esse um dos motivos que leva Diego Bresani a deixar Brasília. Desde a semana passada, um de nossos mais queridos fotógrafos largou tudo para viver em Paris, onde espera ampliar os motivos para seguir em frente. ;Devo tanto a Brasília e a adoro. Mas já me sentia limitado. Precisava quebrar algumas novas barreiras;, conta.

As razões para encarar o velho continente são todas voltadas à alma inquieta do artista. ;Não tenho emprego, projeto. Nada disso. Desembarquei em Paris com uma mala e uma câmera na mão. E vamos ver o que acontece.;

Abdicar da ascendente carreira, despedir-se do estúdio, abrir mão dos convites e visibilidade; Nada o fez desistir do novo passo. ;É algo interno, entende? Não estou muito preocupado com o lance material, com reconhecimentos alheios;, explica. Depois de uma década de trabalho, na qual se firmou como um celebrado retratista e fotógrafo, Bresani chega à França como um anônimo. ;Talvez eu tire fotos, faça um curso. Talvez, eu trabalhe como garçom, artista de rua. Essa imprevisibilidade não me assusta. Pelo contrário: me empurra.;

O artista tem sede. E, por aqui, a fonte secou. ;Espero voltar, mas ainda deve demorar. Tenho alguns novos capítulos a escrever.; Mais do que fotos, Bresani pretende voltar de Paris com ;histórias para contar;. Uma única vontade o acompanha: ;Lá na frente, quero juntar meus netos e ter experiências para compartilhar. Exatamente como meu avô. E espero que eles tenham o mesmo orgulho que eu tive, quando pequeno;.

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Confira autorretratos do fotógrafo.


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