Correio Econômico

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Selic mais alta reforçará sinal de política econômica mais austera com Dilma 2

por Vicente Nunes / vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 26/11/2014 00:00

Juros da confiança
O pacote que o governo está preparando para tentar resgatar sua credibilidade deve incluir um aumento mais forte na taxa básica de juros (Selic). Na quarta-feira da semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá já com Alexandre Tombini confirmado na presidência do Banco Central. A perspectiva dentro da equipe econômica é de que a Selic suba 0,5 ponto percentual, para 11,75% ao ano. Será uma forma de mostrar aos investidores maior coordenação entre a Fazenda, que anunciará um ajuste fiscal mais consistente, e a autoridade monetária, para levar a inflação ao centro da meta, de 4,5%, até 2016.

No fim de outubro, três dias depois das eleições, o BC aumentou os juros em 0,25 ponto. Como a economia está capengando, ainda com sintomas de recessão, tanto os técnicos do governo quanto os analistas privados acreditavam que o movimento do Copom seria mais ameno. Mas, com a disparada do dólar, que se mantém acima de R$ 2,50, e a piora nas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015 ; o risco de a inflação estourar o teto da meta, de 6,5%, é enorme ;, passou-se a cogitar uma alta maior na taxa básica, de forma a consolidar a visão de que, no segundo mandato de Dilma, tudo será diferente. Ou seja, nada de leniência no combate à carestia.

A justificativa do BC, dizem técnicos da Fazenda, já está pronta. Assim como alegou que o dólar havia subido muito entre setembro e outubro, e cada ponto percentual de alta da moeda impacta em 0,5 ponto a inflação ao longo de 12 meses, o fará novamente. Por trás desse discurso está a visão de que, ao forçar a mão na Selic agora, a autoridade monetária conseguirá derrubar os juros futuros, de mais longo prazo. São essas taxas que, na verdade, servem de parâmetro para a formação do custo do dinheiro. Quer dizer: os empréstimos e financiamentos ficarão mais baratos, estimulando as empresas a retirarem das gavetas os projetos de investimentos que o país tanto precisa para crescer.

;Quando os juros futuros caem, é um sinal de que os investidores estão mais confiantes no combate à inflação;, explica um técnico do BC. Ele ressalta que, à medida em que ficar claro para o mercado que realmente o governo decidiu fazer um ajuste fiscal sem truques, mesmo entregando um superavit primário menor, e que o Copom tem total autonomia para retomar o controle sobre o custo de vida, o horizonte se abrirá. ;Hoje, depois de tudo o que se viu nos últimos quatro anos, do fracasso da nova matriz econômica de Dilma, ninguém consegue olhar à frente e planejar. Portanto, a equipe comandada pelo futuro ministro da Fazenda terá que entregar previsibilidade. Nada mais que isso;, emenda.

O roteiro traçado por integrantes da equipe econômica para a retomada da confiança começa amanhã, com o anúncio oficial, por Dilma, de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e de Nelson Barbosa para o Planejamento. Logo após, a presidente detalhará as diretrizes da economia sob o comando do novo time. Na sexta-feira, deve haver a despedida de Guido Mantega da Fazenda e, na própria sexta ou na segunda, as posses de Levy e de Barbosa.

;Será o melhor dos mundos para o governo, que se livrará de uma enorme pressão dos agentes econômicos. Investidores e empresários esperam que, desta vez, Dilma se afaste da economia e deixe quem sabe fazer o que precisa ser feito;, enfatiza um auxiliar de Mantega. ;São quatro anos de governo pela frente. Não seria justo com a população entregar resultados tão medíocres como os do primeiro mandato da petista;, emenda um senador da base aliada. Para ele, Dilma, finalmente caiu na real. E o povo brasileiro agradece.

Guerra pela boquinha

Desde ontem, com Joaquim Levy e Nelson Barbosa em Brasília, instalou-se um alvoroço no governo. Gente interessada em continuar usufruindo dos cargos de confiança tratou de procurar pessoas próximas aos dos futuros ministros para garantir um espacinho na Esplanada. A guerra pelos cargos de DAS (Direção e Assessoramento Superior) começou com tudo.

Futuro de Holland
Com a saída de Guido Mantega marcada, a princípio, para sexta-feira, depois de fazer o tradicional comentário sobre o Produto Interno Bruto (PIB), começaram os questionamentos sobre o futuro de Márcio Holland, secretário de Política Econômica da Fazenda. O chefe atual da pasta tenta mantê-lo no governo. Mas o futuro ministro não tem a menor simpatia por ele. No Planalto, Holland caiu em desgraça depois de mandar os consumidores trocarem carne por ovo.


Vai logo, Arno!
Arno Augustin anuncia hoje mais um péssimo resultado das contas públicas. Não poderia encerrar de forma pior a desastrada passagem dele pela Secretaria do Tesouro Nacional. Há servidores comemorando há três dias seguidos o fim da era dos truques contábeis.

Time de Tombini

No Banco Central, Alexandre Tombini tem conversado com cada um dos seus auxiliares para montar a diretoria que prevalecerá no segundo mandato de Dilma. Há grande possibilidade de dança das cadeiras. Mas nada muito radical, como ressalta um técnico da instituição.

Adeus, mediocridade
É no Ministério do Planejamento onde se vê o maior nível de ansiedade. Nelson Barbosa é exigente na escolha dos auxiliares. E tem a clara noção de que o atual time de assessores diretos de Miriam Belchior é medíocre.

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