Dívida pública caiem outubro

Dívida pública caiem outubro

Incertezas econômicas fazem mercado exigir juros mais altos e dificultam rolagem de títulos federais, derrubando estoque para R$ 2,15 trilhões

BÁRBARA NASCIMENTO
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Renato Araújo/ABr - 19/8/10
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(foto: Renato Araújo/ABr - 19/8/10 )


O governo teve, em outubro, mais dificuldade para rolar a Dívida Pública Federal (DPF) e foi obrigado a resgatar R$ 48 bilhões. Diante das altas taxas de juros pedidos pelos investidores e do efeito das eleições ; que aumentou a volatilidade dos mercados, no geral ;, o número de emissões foi menor do que o total de resgates pelo quarto mês consecutivo. Em outubro, R$ 35,74 bilhões foram emitidos, ante R$ 84,43 bilhões resgatados. Com isso, o estoque total da dívida diminuiu 1,29%, passando de R$ 2,18 trilhões para R$ 2,15 trilhões.

;Eu diria que, assim como os outros mercados, o de títulos é influenciado pelos mesmos fatores. Se há volatilidade nos mercados em geral, há uma volatilidade no mercado de títulos também;, afirmou o coordenador-geral de operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido. Apesar disso, ele garante que o comportamento das emissões em outubro se manteve em linha com o esperado.

O estoque da dívida interna foi reduzido em 1,36%. Na dívida externa, houve queda de 0,05%. ;Os números estão sugerindo que o governo está com dificuldade em rolar os títulos vencidos no ano. Essa dificuldade está atrelada ao cenário incerto eleitoral e também ao rumo da política fiscal do governo Dilma Rousseff;, afirmou o professor André Nassif, especialista em contas públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV). Diante da volatilidade, o mercado exigiu taxas mais altas. Não à toa, o custo médio da DPF aumentou no mês passado, foi de 11,54% ao ano em setembro para 11,63%. O custo da dívida externa foi o que deu o maior salto, de 15,69% a.a para 16,38% a.a.

Em outubro, o percentual de vencimentos para os próximos 12 meses diminuiu de 26,21%, em setembro, para 24,16%. O prazo médio aumentou, o que conta a favor do governo: foi de 4,50 anos para 4,59 anos. Os juros caíram, em valores correntes, R$ 2,01 bilhões. O objetivo do governo é manter o estoque da DPF entre R$ 2,17 trilhões e R$ 2,32 trilhões.

A participação dos estrangeiros como detentores dos títulos públicos federais bateu novo recorde. Em outubro, atingiu 20,38% ante 19,32% em setembro, e 16,10%, em dezembro de 2013. Já a das instituições financeiras, caiu. Foi de 30,23% em dezembro do ano passado, para 28,22% em setembro e 26,34% em outubro.

Transportador está pessimista
Os empresários do transporte vão encerrar o ano mais pessimistas em relação à economia. Eles começaram 2014 cautelosos e agora, desanimados, conforme levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Apenas 25,8% dos empresários esperam aumento na receita bruta e 29,4%, no número de viagens até dezembro. Em março, esses índices eram, respectivamente, de 43,2% e 39,3%. Também caiu a perspectiva de aumento de contratações formais, de 33,3% para 18,2%. Do total, 72,8% não pretendem comprar mais veículos, preocupados com a alta da taxa de juros e seus impactos nos custos de financiamento. Para 83,4%, há também dificuldades na contratação de mão de obra.

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