Internet em xeque

Internet em xeque

postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Reuters)
(foto: Reuters)



Em pronunciamento no parlamento, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, atribuiu à rede mundial de computadores uma ;responsabilidade social; sobre atos terroristas disseminados no ambiente virtual. ;Terroristas estão usando a internet para SE comunicarem entre si, e não devemos aceitar que essas comunicações estejam além do alcance das autoridades ou das companhias de internet;, afirmou o premiê. O chefe de governo britânico fez as declarações ao comentar um relatório oficial do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento sobre o assassinato do fuzileiro Lee Rigby, 25 anos. O militar foi atropelado e quase decapitado a facadas em plena luz do dia em uma rua de Woolwicj, bairro da região sudeste de Londres, em 22 de maio de 2003. Os assassinos, Michael Adebolajo e Michael Adebowale, cumprem, respectivamente, penas de prisão perpétua e de 45 anos de reclusão.

De acordo com o relatório, Adebowale teria usado a internet para entrar em contato com extremistas no exterior e expressado o desejo de matar um soldado ;da maneira mais violenta e dramática possível;. Os autores do documento sustentam que, se o serviço secreto MI5 soubesse da conversa, ;há uma possibilidade significativa; de que teria conseguido evitar o assassinato. ;Mesmo intencionalmente, elas (empresas operadoras de internet) estão fornecendo um abrigo seguro para os terroristas;, afirmam.

Espionagem
Jeremiah Adebolajo, irmão de Michael Adebolajo, falou com exclusividade ao Correio e comentou o relatório. ;Eu vejo isso como uma distração do verdadeiro problema da insegurança e da ameaça terrorista. Isso é usado para remover a atenção da opinião pública da causa real: as guerras ilegais e baseadas no petróleo, no Oriente Médio. Antes delas, o Reino Unido era seguro;, garantiu, por meio das redes sociais. Jeremiah também enviou um comunicado à reportagem, por e-mail, no qual acusa as autoridades de intensificarem os poderes dos serviços de segurança para espionar e coletar dados.

Especialista em terrorismo do Colégio de Defesa Nacional da Suécia, Magnus Ranstorp disse ao Correio concordar com o relatório, mas defende que a internet pode servir de substrato importante para as agências de inteligência. ;O fechamento de sites significa que os extremistas vão operar de modo clandestino, o que tornará a detecção mais difícil;, explicou. ;É melhor deixar o conteúdo on-line e selecionar o conteúdo a ser removido, como manuais de fabricação de bombas.; (RC)


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