Papa exige verdade sobre pedofilia

Papa exige verdade sobre pedofilia

postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)



A bordo do avião pontifício, ao retornar de Estrasburgo (França), o papa Francisco falou a repórteres sobre os casos de abuso sexual cometidos por sacerdotes do clã ;Romanones; em Granada, província ao sul da Espanha. ;Como estou vivendo? Com grande dor, com muita dor. Mas a verdade é a verdade e não devemos escondê-la;, declarou. O líder católico admitiu ter forçado a abertura de um inquérito diocesano para apurar as denúncias feitas por uma vítima com quem conversou, em 10 de agosto passado. ;Eu recebi a carta, li, liguei para a pessoa e disse: amanhã vá ver o bispo. E escrevi ao bispo para pedir que começasse o trabalho, a investigação, e que seguisse em frente;, relatou. O arcebispo de Granada, Francisco Javier Martínez, suspendeu um grupo de padres no começo deste mês. Na segunda-feira, a Justiça espanhola anunciou a prisão de três sacerdotes e um professor de ensino religioso.

O vaticanista Vincent Lapomarda, professor de teologia no College of the Holy Cross (em Massachusetts), se disse convencido de que o papa vai disciplinar padres predadores. ;Os abusos não são muito mais comuns do que na sociedade em geral, entre pessoas de outras denominações religiosas e de profissões seculares;, observou. Por sua vez, o norte-americano David Clohessy, diretor da Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres (Snap), critica o fato de os crimes sexuais somente virem à tona quando a autoridade eclesiástica é coagida. ;Apenas os mais inocentes pensariam que a maior parte dos clérigos molestadores foi denunciada ou exposta. A maioria deles ainda está ;sob o radar;.;

Imigrantes
Mais cedo, em discurso no Parlamento Europeu, Francisco comparou a Europa envelhecida a uma avó enfraquecida. Ele pediu que o continente se torne referência para a humanidade e acolha os imigrantes que chegarem ao território. ;A uma união mais extensa, mais influente, parece se somar a imagem de uma Europa um pouco envelhecida e comprimida, que tende a sentir-se menos protagonista;, considerou. ;A impressão geral transmitida pelo Velho Continente é a de uma avó, uma Europa que já não é fértil nem viva, enquanto o mundo se tornou cada vez menos eurocêntrico;, afirmou. ;Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa assustada e dobrada sobre si mesma, para que seja um ponto de referência importante para toda a humanidade;, ressaltou.

O pontífice renovou o apelo feito em julho de 2013 na ilha italiana de Lampedusa: ;Não podemos tolerar o fato de o Mediterrâneo estar se tornando um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam de acolhimento e ajuda;. (RC)


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