Abismo diminui na capital

Abismo diminui na capital

As diferenças entre riqueza e pobreza no DF caíram entre 2000 e 2010, segundo o IDHM. Tendência se repete nacionalmente

» PALOMA SUERTEGARAY
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press)


O comerciante Sérgio Reis Lopes da Silva, 29 anos, veio do Piauí para o Distrito Federal há 20 anos e mora na Estrutural há cinco. Devido ao trabalho, vai diariamente para o Plano Piloto, onde faz negócios nas Asas Sul e Norte, além de visitar shoppings das redondezas. Quando compara as áreas nobres à região em que vive, encontra muitas diferenças. ;Lá, é muito organizado e com opção de tudo;, diz, timidamente, apoiado na bicicleta que usa para percorrer as ruas de terra da vizinhança. Mesmo assim, ele acredita que a Estrutural mudou bastante na última década e tem fé no futuro. ;Antes, faltava ônibus, esgoto, educação. Agora, não temos tanto do que reclamar;, afirma.

A história de Sérgio reflete uma situação que atinge a capital como um todo. Mesmo sendo uma das regiões mais desenvolvidas do Brasil, o DF ainda é uma terra de desigualdades. Entretanto, o grande vazio entre ricos e pobres tem diminuído gradualmente nos últimos anos, o que impactou de forma positiva a vida de muitos brasilienses e candangos. É o que demonstra o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), elaborado pela Fundação João Pinheiro (FJP), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado ontem.

O levantamento faz parte do Atlas das Regiões Metropolitanas, uma ampliação dos dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) realizado pelo Pnud. Foram considerados 23 municípios que formam a Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride-DF). Plano Piloto, Lago Sul, Sudoeste, Noroeste, Águas Claras têm IDHM na faixa mais alta da classificação, entre 0,955 e 0,957 ; o valor máximo é 1.


"As periferias têm indicadores piores do ue as áreas centrais, mas, por outro lado, s municípios do Entorno foram os que apresentaram avanços mais significativos;
Marcelo Neri, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos


A Estrutural ; onde Sérgio da Silva mora ; ficou no último lugar da lista, ao lado do Recanto das Emas, de Samambaia, de São Sebastião e de Sobradinho 2. Todas empatam em 0,616. ;A situação de desigualdade no DF é uma das mais graves do país. Às vezes, basta atravessar uma rua para passar de uma zona com o IDH mais alto para outra com o menor índice;, afirmou o coordenador de Pesquisa da FJP, Olinto Nogueira, durante o lançamento do Atlas.

Avanços

Ainda que o cenário seja preocupante, o estudo aponta que a área do DF tem evoluído. Em 2000, o IDHM regional era igual a 0,680, situando-se na faixa de Médio Desenvolvimento Humano. Em 2010, o número cresceu para 0,792, alcançando a mais alta (veja Avaliação). Com o resultado, a capital federal ocupa o segundo lugar no ranking de regiões metropolitanas apresentado pelo Atlas.

Além disso, a disparidade entre os municípios da Ride é menor agora do que no início do milênio, tendência que se repete em outras unidades da Federação. ;As periferias têm indicadores piores do que as áreas centrais, mas, por outro lado, os municípios do Entorno foram os que apresentaram avanços mais significativos, o que ajudou a reduzir a desigualdade;, explicou o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Marcelo Neri.

Com a pesquisa, fica evidente que, mesmo com a melhora nos índices, o caminho a percorrer é longo. De acordo com os órgãos responsável pelo Atlas, a divisão intramunicipal oferece uma ferramenta inédita para que gestores e população avaliem os problemas de cada área por separado, a partir dos dados. ;Além de mostrar que o país ainda tem muito a melhorar em relação à desigualdade social em suas cidades, a intenção do estudo é ajudar a criar políticas públicas que contribuam para melhorar a condição de vida das pessoas;, explica o representante-residente do Pnud e coordenador do Sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek.


Metodologia
Ao todo, foram contempladas 16 regiões metropolitanas brasileiras, incluindo o Distrito Federal. Para o documento, as entidades envolvidas criaram o conceito de Unidade de Desenvolvimento Humano (UDH), áreas menores com características homogêneas e população suficiente para desagregação estatística, ou seja, cada cidade pode comportar uma ou várias UDHs. O objetivo é mostrar as diferenças intramunicipais, com base nos dados do Censo 2000 e 2010.

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