Diferenças na mesma região

Diferenças na mesma região

postado em 26/11/2014 00:00
Apesar da queda na desigualdade apontada pelo Atlas, o conceito de Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH), criado para o relatório, escancara o nível das disparidades ainda existentes dentro das regiões metropolitanas. A renda per capita em uma das localidades pode ser até 47 vezes maior do que em outra, por exemplo. A esperança de vida ao nascer, 14 anos mais longa; e o percentual da população de 18 anos ou mais com ensino fundamental completo atinge 94% em uma região e apenas 21% em outra.

Do ranking do Atlas de Desenvolvimento Humano entre as UDHs, as cinco primeiras estão em São Paulo. Regiões da Vila Madalena, conhecida pela boemia, e da Vila Funchal integram a lista com 0,965. Icaraí, em Niterói, é a maior índice no Rio de Janeiro, com 0,962. Em seguida, outro endereço paulista: Higienópolis. Ainda assim, a realidade não se repete em toda a região metropolitana. O bairro de Jardim Capela, em São Paulo, por exemplo, tem IDHM de 0,625, sendo o menor valor da região. No quesito educação, fica com 0,518.

Em compensação, a Zona Rural Itacoatiara, em Manaus, tem o pior IDHM de todo o país: 0,501. As capitais do Norte e Nordeste ainda ocupam as piores posições do ranking de UDHs com índices baixos. Mas os dados mostram que 14 UDHs da região metropolitana de Manaus têm classificação muito alta: 0,930. O levantamento definiu 9.825 UDHs nas 16 regiões metropolitanas analisadas.

;O Atlas é também um instrumento de empoderamento para uma sociedade que está cada dia mais atenta e participante;, diz a presidente da Fundação João Pinheiro, Marilena Chaves. ;Com a possibilidade de conhecer melhor a própria região, o cidadão que mora numa UDH, mas trabalha em outra, percebe as diferentes realidades pelas quais passa ao longo do dia e, a partir daí, cobra pelo compartilhamento de políticas públicas;, completa.

Quando se desagregam os dados de acordo com os subíndices educação, longevidade e renda, alguns resultados chamam a atenção nacionalmente. O primeiro teve os maiores avanços em 2000 e em 2010. Apesar de o estado do Maranhão estar longe das melhores colocações no setor, São Luís obteve a melhor nota do país. ;Uma explicação pode estar na força da capital. Então, a média da capital puxa a RM para o topo do ranking. No microcosmos, São Luís não tem nenhuma UDH na liderança, mas, na média, alcança o topo;, explica o coordenador do Atlas pelo Ipea, Marco Aurélio Costa.

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