200 carros furtados

200 carros furtados

Quadrilha especializada roubava chaves de motoristas em comércios e feiras e levava os veículos deixados nos estacionamentos. Ex-PM de Minas Gerais está entre os 10 presos

» SAULO ARAÚJO
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)


Motoristas distraídos eram as principais vítimas de uma quadrilha especializada em furtos de veículos. Desarticulada na manhã de ontem pela Polícia Civil do Distrito Federal, o grupo formado por 12 bandidos percorria bares, restaurantes, lanchonetes e feiras à procura de condutores descuidados. Sem chamar a atenção, eles pegavam chaves guardadas em bolsas, penduradas no passador do cinto ou mesmo deixadas em cima da mesa. Depois, seguiam até o estacionamento e levavam o carro. Só neste ano, o bando furtou cerca de 200 automóveis dessa forma.

O trabalho da Delegacia de Roubo e Furtos de Veículos (DRFV) durou oito meses. Os investigadores identificaram que, inicialmente, o método mais usado pela organização criminosa era o roubo. Em dezenas de casos, restringiam a liberdade das vítimas e as abandonavam em lugares distantes da cidade. Mudaram a estratégia depois de perceberem a facilidade de furtar veículos sem correr grandes riscos de serem presos em flagrante.

Eles atuavam em pontos estratégicos do DF. Escolhiam locais com grande número de veículos estacionados e com pouca rotatividade durante o dia. O Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), o estacionamento do Hospital de Base (HBDF), a Feira dos Goianos e a Praça do DI, em Taguatinga, eram os pontos preferidos. Motoristas de Ceilândia, do Gama e de municípios do Entorno também se tornaram vítimas da quadrilha.

A Operação da DRFV, batizada de 020, prendeu 10 dos 12 investigados e cumpriu 20 mandados de busca e apreensão. Os investigadores descobriram que os carros levados do DF e do Entorno tinham como destino uma oficina em Paracatu, cidade mineira a 240km de Brasília. Um ex-cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, Antônio Marcos Monteiro dos Santos, 40 anos, é quem encomendava os veículos no DF, segundo a polícia. Ele pagava de R$ 3 mil a R$ 5 mil por automóvel. Num galpão construído para desmanche, depenava os carros e vendia as peças no mercado negro.

Ele a mulher, Adriana Ribeiro Brito, 37 anos, foram presos em casa. Ela é acusada de gerenciar os negócios ilícitos do marido e aliciar clientes para comprar as peças. O casal já construía outros dois galpões com a finalidade de desmontar os veículos furtados em Brasília. A Polícia Civil do DF enviou um caminhão para recolher as peças apreendidas, mas não foi suficiente. A corporação teve de usar veículos do suspeito para transportar todo o material.

Outro preso na Operação 020 é José Adriano Bernardino Evangelista, 41 anos, o Paraíba. Apontado como o maior articulador do grupo, ele chefiava os furtos e organizava, pelo menos uma vez por semana, o comboio da madrugada com os automóveis rumo a Paracatu. Além dos três, foram detidos Charles Borges da Silva, 33; Raimundo Nonato Muniz, 31; Ricardo Aparecido Ribeiro, 26; Messias Pereira Alcântara, 21; Filipe Santos Souza, 19; João Maria Araújo da Silva, 31 e Luan Yuri de Oliveira Silva, 23 anos. Três adolescentes foram encaminhados para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

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