Profissional (bom) de música

Profissional (bom) de música

Juliana Figueiredo
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)


Quem só conhece Frango Kaos como vocalista da banda de punk e hardcore Galinha Preta não imagina que o irreverente bandleader é um dos melhores e mais requisitados técnicos de som da capital. Os primeiros passos na profissão se deram tão cedo quanto à iniciação na música. No início dos anos 1990, aos 15 anos, o jovem Ricardo Silva começou a trabalhar no estúdio Cáustico Lunar ao lado de bandas como Raimundos, Câmbio Negro, Little Quail and the Mad Birds, e, hoje, mais de 10 anos depois, ainda é apaixonado pelo que faz.

;Eu gosto muito de tocar, mas gosto mais ainda de trabalhar. Se o Galinha Preta assinasse com uma gravadora, a banda acabaria porque a agenda ia bater com os meus compromissos de trabalho e eu daria prioridade a eles. Os integrantes do grupo teriam que me amarrar em um poste;, brinca Frango. ;Quero ganhar dinheiro como técnico. Trabalho amarradão até o último bêbado sair da festa;, ri.

Foi a seriedade profissional de Frango que conquistou o primeiro empregador, o dono do estúdio Cáustico Lunar, Gustavo Simas. ;Ele dizia que era muito difícil encontrar uma pessoa responsável nesse meio. A noite oferece possibilidades muito sedutoras: bebidas, drogas e mulheres. É preciso alguém centrado para dar conta do recado. Eu tive uma criação muito boa e sempre gostei de música, então as coisas foram acontecendo. Não escolhi a profissão, ela que me escolheu;, garante.

Depois de mudanças de emprego, de cursos na área, de bicos na noite e de shows com o Galinha Preta, Frango tem um nome consolidado na profissão. Ele é o técnico de som de todos os shows do músico Hamilton de Holanda. ;Conheço Hamilton há mais de 15 anos. Ele dava aula no Clube do Choro e eu sempre trabalhei lá. Chegou uma hora que Brasília ficou pequena demais e ele teve que ir embora. Quando voltou, ele me procurou e disse que estava precisando de um técnico ;ponta firme;. Desde então, trabalhamos juntos;, conta.

Frango mora em Brasília, mas acompanha Hamilton de Holanda em shows pelo Brasil e pelo mundo. Há dois anos, o técnico viaja regularmente para o Rio de Janeiro, onde o instrumentista mora, para trabalhar no Baile do Almeidinha ; baile de gafieira criado pelo músico em 2012. O Móveis Coloniais de Acaju é outro grupo que requisita os serviços do técnico com frequência.

Pé no chão
Embora esteja constantemente rodeado de nomes consagrados, Frango não se deslumbra com a fama. ;Você tem que trabalhar com os mesmos apreço e vontade para qualquer pessoa. Trabalho é trabalho. Um artista que está começando hoje pode bombar amanhã, como aconteceu com a Ellen Oléria. Um dia, eu estava trocando ideia com ela no boteco, e, no outro, ela estava estourada;, diz.

Outra pessoa que Frango conheceu no início da carreira foi Pitty, que na época fazia parte do grupo Inkoma. No livro Pitty ; Cronografia: uma trajetória em fotos, que a cantora lançou este ano, aparece uma foto antiga dela com Frango e BNegão. ;Ela fez questão de colocar a imagem e de me mandar a obra. Quando nos vemos na rua, ela sai correndo e pula em cima de mim. Somos muito amigos;, revela.




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