O belo balé equestre

O belo balé equestre

O movimento suave e ritmado dos cavalos puro-sangue espanhóis é espetacular. É obrigatória a inclusão no roteiro da Escola AndaLuza de Arte Equestre. As touradas, mais polêmicas, só recomeçam em abril

» Renato Ferraz
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Renato Ferraz/CB/D.A Press)
(foto: Renato Ferraz/CB/D.A Press)

Jerez de la Frontera ; A relação dos espanhóis com cavalos é tão antiga quanto intensa. Desde a época que o lugar era ocupado por romanos, eles fazem parte do dia a dia. Como serviam (e servem) para tudo, devem ser extremamente obedientes.


Os espanhóis dizem que o belo andaluz, puro-sangue local, fala (gestualmente) e até dança ; e o bom domador sabe seus sentimentos e o faz bailar até música clássica, ;à custa de muitos e duradouros exercícios de adestramento clássico ou rural;. E ginástica intensa para fortalecer os músculos. Assim, esses fortes animais se transformam em ágeis e dóceis bailarinos, num espetáculo definitivamente espetacular (veja vídeo no site do Correio).


Os shows acontecem ao meio-dia em ponto, na sede da Real Escola Andaluza de Arte Equestre em Jerez (fundada em 1972), embora desde as 10h a casa esteja aberta para visitas. Primeiro, surge um ginete e um cavalo branco (ou marrom). Em seguida, vêm pares ou grupos e, no fim, charretes clássicas. Em todos as cenas, cavaleiro e cavalo devem provar harmonia no passo, no trote, no galope, nas paradas bruscas, nas manobras claramente difíceis. Enfim, têm quer um entrosamento fenomenal.

Conheça
Endereço: Avenida Duque de Abrantes s/n, Jerez de la Frontera
Telefone: +34 956 319 635
E-mail: info@realescuela.org
Dias de show: Janeiro e
fevereiro, toda quinta-feira;
março a julho, às terças e às quintas; agosto e setembro, às terças, às quintas e às sextas; outubro a dezembro, às terças
e às quintas.

Jerez

Terra dos gitanos

Jerez fica 90km ao sul de Sevilha e, embora pertença à província de Cádiz, é mais agitada, mais turística. É um dos lugares onde a presença cigana é bem mais significativa. Aliás, Jerez, como toda a região em volta, sofreu influências culturais dos fenícios, romanos, visigodos, muçulmanos, judeus, cristãos... Daí porque tanto flamenco, cavalos, touros, igrejas, mesquistas e muralhas, como a Alcázar, do século 11. E é a terra, claro, do jerez, ou sherry, um tipo de vinho fortificado feito a partir das uvas palomino e pedro-ximénez. Vale uma visita a algumas adegas (veja mais nas páginas 4 e 5), como a Sandeman.

Cádiz

Terra de Hércules?

Se você acredita em lendas, pode ficar tranquilamente com essa: Cádiz teria sido fundada por Hércules, o deus filho de Zeus. Calma: no sul da Espanha, você verá e saberá de fatos sobre o ;maior;, o ;mais; importante e o ;imponente;. Os andaluzes até parecem pernambucanos ou gaúchos. O fato é que Cádiz pode ter sido a cidade ainda habitada mais antiga do Ocidente, e seus primeiros moradores foram os fenícios, um pouco antes de 1.100 a.C.


A praia, em determinadas épocas do ano, é exclusiva de praticantes de esportes náuticos ; como surfe, windsurfe, kitesurfe etc. A água é gelada e os ventos são fortes. Há pouco bares na orla, mas (e não tem jeito) o que chama a atenção são as tabernas clássicas, com cervejas variadas e tapas.


Para conhecer coisas e lugares, vale a dica: caminhe e caminhe. Vá, por exemplo, à catedral, que fica numa praça homônima, e que levou mais 100 anos para ser terminada. Tem estilo barroco misturado com detalhes neoclássicos, e é toda de pedra.
A cidade é cheia de curiosidades. Foi do porto de lá, por exemplo, que Cristóvão Colombo (1451-1506) saiu com suas caravelas (Santa Maria, Nina e Pinta) para descobrir a América, em 12 de outubro de 1492. A Constituição de Cádiz, conhecida como La Pepa, aprovada a 18 de Março de 1812, foi a primeira da Península Ibérica e uma das primeiras no mundo. (R.F.)

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