Experimente de tudo

Experimente de tudo

postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Mercado Victoria/Divulgação)
(foto: Mercado Victoria/Divulgação)
A comida andaluza também sofreu influência de muitos povos e culturas. Daí por que é bem variada. Tem frutos do mar em Cádiz, por exemplo, e o Rabo de Toro ; iguaria feita para os fortes e para lá de saborosa, como se fosse uma rabada (mas não achei o tutano do osso). O rabo precisa de muito fogo e vinho para ficar macio. Com um vinho tinto forte, então, se torna uma opção imbatível. Confira alguns lugares que servem salmorejos (um tipo de sopa com pão dormido), lulas, pão com tomate e por aí vai. Se quiser elogiar, não se acanhe. Mas lembre-se: diga que o prato está muy esquisito! Os hábitos são um pouquinho diferente do que estamos acostumados. Marque seu almoço para depois das 14h. O jantar, para depois das 21h.

Córdoba
Mercado Victoria

A Calle de La Victoria divide a Córdoba moderna da antiga, clássica, de ruas apertadas a ponto de os moradores abrirem fendas nas paredes para um carro passar sem perder os retrovisores. Há pouco mais de um ano, o poder público se uniu ao privado e criou um mercado literalmente no meio da avenida, onde existia um clube de amizade (clássicos na Espanha, por sinal).
Hoje, é um lugar bacana, com 20 mil visitas semanais, para se curtir de tudo: de tabernas modernas a restaurantes de culinária internacional (japonesa, italiana), boates e lojas de azeite, queijos, vinhos e outras miudezas ; como as pipas, sementes de girassóis tostadas.

Sevilha
Bessana Tapas

Restaurante tem que vários prêmios nacionais e que fica em Utrera, perto de Sevilha. Deve ter merecido cada troféu: a jornada gastronômica é baseada em croquetes de lula, pâncreas de animais com queijo de cabra, tapas variadas e um bom preço.

De capa preta
Ir à região de Jerez e não experimentar o vinho local é como ir a Escócia, ao Teenessee, ao Porto, à Síria ou ao Brasil e não conhecer o uísque, o malte, o arak ou a cachaça... Por isso, escolha uma fazenda e vá conhecer a produção e o vinho. A Sandeman, uma dos mais tradicionais, mostra direitinho como se elabora o xerez.
Curiosamente, a Sandeman não nasceu espanhola, mas londrina (em 1790, o escocês George Sandeman pediu 300 libras emprestadas e começou a comprar vinhos de Jerez e do Porto para revender). Antes, quando se vendiam tonéis sem identificação (e sem responsabilidades), a empresa marcou um com seu nome ; e dava, assim, garantia de qualidade.
Outra coisa legal é o Sandeman Don, o primeiro grande ícone dos vinhos da história. Foi pintado, em 1928, por George Massiot Brown e, com a sua capa negra de estudante de Coimbra e o sombrero típico de Jerez, ainda hoje mantém toda a sua mística.
Quanto ao vinho, vale lembrar: o xerez ou sherry, em inglês, é um tipo fortificado, como se fosse um licor. A uva mais usada é a palomino (elas são esmagadas, fermentada em barris (hoje, de aço inoxidável) e o produto recebe, enfim, aguardente. Depois, volta ao barril e passa mais de um ano. Um fungo nasce na superfície e então completa-se o sabor característico.
Ele, aliás, tem a chamada DO (denominação de origem) e o legítimo só é produzido na Andaluzia. Mas não é único: misturando gradativamente vinhos novos com velhos, criam-se características próprias.

Xerez fino
É o mais jovem: o engarrafamento dele acontece entre a idade de cinco a oito anos

Manzanilla
É claro e seco, com teor de 15% a 19% de álcool

Amontillado
Engarrafado com oito a 12 anos de envelhecimento em madeira. O teor alcoólico é de 16% e 24%.

Pedro Ximénez
Leva o nome da uva usada para ser produzido. É doce.

Cádiz
Restaurante Café Royalty

O menu para almoço e jantar oferece queijo de cabra crocante com tomate como entrada e a indescritível gazpacho andaluz com camarão, uma sopa fria que se prepara com hortaliças cruas e moídas e misturadas com vinagre, azeite etc. É um prato típico da região. Outra opção conhecida é o filé-mignon (solomillo) alongado de carne, de primeira qualidade, que é retirado entre as costelas e a coluna vertebral de bovinos.

Casa Manteca
É uma típica taberna espanhola que serve tapas frias (a partir de 1,50 euro) e fica no centro antigo da cidade, no Barrro de La Viña. Qualquer taxista ou concierge sabe a localização. Afinal, funciona desde 1953 e sempre foi frequentada por dançarinos ou dançarinas de flamenco e, principalmente, toureiros (as paredes estão repletas de fotos dos famosos do país). Experimente vinho tinto da casa e o jamón ibérico, o mais caro e famoso deles, com conservas e chicharrones (torresmo) condimentados. Fora, barris de jerez velhos servem de mesa para os mais inquietos e apressados.

La Cava
Taberna que mistura comida espanhola e shows de dança flamenca. Apesar de voltada para turistas, não é grande nem artificial (o mobiliário regional, por exemplo, é de bom gosto). O atendimento é razoável, embora o conjunto comida-música compense. O show dura uma hora e meia e é produzido por cinco artistas: o cantador clássico (e melancólico), dançarinas, guitarrista e um percussionista.

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