Guiados pelo bom exemplo

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Taxista que devolveu R$ 2 mil a passageiro que havia esquecido a quantia no veículo é parabenizado pelos colegas, que ficaram admirados com a atitude

PALOMA SUERTEGARAY
postado em 02/12/2014 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 29/11/14 )
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 29/11/14 )

Ao longo de 30 anos de profissão, o taxista brasiliense Maurício Quirino da Silva, 61, já precisou devolver vários pertences esquecidos por clientes dentro do carro. O que ele encontrou depois de uma das suas corridas no último fim de semana, no entanto, o pegou de surpresa. O passageiro deixou para atrás uma mochila preta com mais de US$ 2 mil ; cerca de R$ 5 mil. Maurício não pensou duas vezes. Para dar um exemplo de honestidade, ele localizou o dono do dinheiro e devolveu o achado. Ontem pela manhã, Maurício recebeu congratulações por parte de um grupo de colegas de profissão que admiraram a atitude.

A história começou na noite da última sexta-feira. Maurício buscou o cliente no Aeroporto Internacional de Brasília e o deixou na Quadra 2 da Octogonal, em um condomínio residencial ; a corrida custou cerca de R$ 40. A seguir, o motorista foi para a Rodoviária, onde pegou um grupo de passageiros e os deixou em uma boate. ;Até então, eu não tinha visto a mochila, que estava embaixo do banco da frente. Algum dos jovens que levei poderiam facilmente tê-la roubado;, comenta Maurício.


Depois da última corrida, o taxista foi para casa. No dia seguinte, recebeu uma ligação do dono da mochila. ;Ele descobriu meu telefone de alguma forma. No entanto, quando me perguntou se eu tinha achado as coisas dele, eu disse que não, porque não tinha visto nada no carro;, conta o condutor do táxi. Após falar com o cliente, Maurício decidiu revistar o veículo mais uma vez para checar se encontrava algo.


;Acabei encontrando a mochila. Então, liguei para o dono várias vezes, mas ele não me atendia de jeito nenhum;, relata. Com o dinheiro, também estavam o passaporte e outros pertences do homem. Decidido a localizar o cliente, Maurício voltou para o condomínio da Octogonal, onde pediu informações para o porteiro. Pouco tempo depois, o dono do dinheiro desceu para recuperar os bens perdidos. ;Ele foi um pouco frio, apenas disse obrigado e foi embora;, completa Maurício. O cliente preferiu não dar entrevista.


De acordo com o taxista, não é a primeira vez que encontra pertences esquecidos de clientes dentro do carro. ;Sempre procuro devolver tudo;, garante. De acordo com a presidente do Sindicato dos Permissionários de Táxi e Motoristas Auxiliares do Distrito Federal (Sinpetaxi-DF), Maria do Bonfim Pereira, o órgão se preocupa em orientar os trabalhadores para que atuem de forma correta nesse tipo de situação. ;Tem se tornado uma marca da categoria do DF e é um motivo de orgulho. Os taxistas procuram sempre ser bem educados e tratar os clientes com humanidade;, afirma.


Um caso parecido ao do taxista ficou bem conhecido, em 2004. O faxineiro Francisco Bazílio Cavalcante, na época com 54 anos, devolveu ao dono uma mala com US$ 10 mil, na época cerca de R$ 30 mil, que achou no banheiro do Aeroporto Internacional de Brasília. Francisco chegou a ser recebido pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o parabenizou pela honestidade.

Memória

Exemplo de honradez
A demonstração de honestidade de Maurício Quirino da Silva não é a primeira do tipo entre os taxistas do Distrito Federal. Durante a Copa do Mundo, em junho, os irmãos colombianos Andrés e Isabela Vargas, de 35 e 40 anos respectivamente, deram o azar de esquecer as malas dentro do táxi. Pouco tempo depois, o condutor do veículo voltou para devolver os pertences dos turistas. Os dois não esperavam tamanha honradez por parte do taxista. "Isso não é comum em nenhum país da América Latina", comentou Andrés.

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