Chikungunya: ameaça é velho problema novo

Chikungunya: ameaça é velho problema novo

postado em 02/12/2014 00:00


Há globalizações e globalizações. A econômica, por exemplo, obedece a regras internas e externas. Organismos internacionais se encarregam de avaliar processos e julgar controvérsias. A da saúde, porém, atravessa fronteiras sem controle de nenhuma natureza.

É o caso do ebola. Apesar dos cuidados para mantê-la restrita a territórios africanos, a enfermidade chegou aos Estados Unidos e à União Europeia a bordo de aviões que decolaram de países em que há registro de casos. Nada impede que bata às portas brasileiras. A questão é saber quando.

Agora, porém, a preocupação se concentra na chikungunya. Há três ocorrências confirmadas no Distrito Federal, mas os infectados contraíram o vírus fora da capital. Goiás notificou 16 casos. Dois, confirmados, foram contraídos no exterior. Os demais dependem de análise.

Por carência de laboratórios aptos a fazer o procedimento, as amostras estão sendo avaliadas no Pará. O laudo, ansiosamente esperado, será espada de Dâmocles não só sobre a cabeça do estado vizinho mas também sobre a capital da República em razão da proximidade física.

Na hipótese de contaminação interna, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás prevê 300 mil contágios nos próximos três meses. É assustador. Embora a letalidade seja baixa ; uma morte para cada mil casos ;, causam preocupação os efeitos da febre: incapacitação para atividades simples por causa das fortes dores nas articulações, sobretudo nos punhos, ombros e tornozelos.

Cresce a preocupação quando se sabe que o transmissor da chikungunya é o mesmo da dengue. O Aedes aegypti encontra terra fértil em verões chuvosos. Prolifera em depósitos de água facilmente encontráveis nas urbes modernas. Pires sob vasinhos de flores são convite ao inseto. O lixo ; casca de ovos, copos plásticos, garrafas PET, restos de louças, vasos, móveis, utensílios domésticos ; também oferece excelente hábitat para o mosquito.

Prevenir é, sem dúvida, a melhor receita para evitar o pior. Agentes da Vigilância Sanitária devem intensificar a fiscalização sobre as condições do ambiente. Campanhas educativas inteligentes ; destinadas a adultos e crianças ; se impõem com urgência. Não há restrição. População, escolas, igrejas, clubes, meios de comunicação de massa devem colaborar.

O Estado precisa fazer a sua parte ; recolher o lixo, cortar o mato, fechar os criadouros do inseto. Precisa, também, estar preparado para enfrentar a enfermidade caso os temores se confirmem. Entre outras iniciativas, tem de preparar resposta da rede de saúde, qualificar laboratórios para diagnósticos e treinar profissionais.

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