Coragem premiada

Coragem premiada

Autoridades homenageiam irmãs que lutaram com três homens, dentro de ônibus, ao sofrerem assédio sexual. Vídeo da retaliação se espalhou pela internet. Uma das garotas usou cinto contra agressor

postado em 02/12/2014 00:00
 (foto: Twitter/Reprodução)
(foto: Twitter/Reprodução)





Duas irmãs indianas que reagiram a uma tentativa de abuso sexual dentro de um ônibus serão homenageadas por autoridades locais. Depois que imagens registradas por um celular mostraram Arti Kumar, 22 anos, e Pooja Kumar, 19, lutando com três agressores diante de um grupo de passageiros inertes, o caso repercutiu em todo o mundo e reascendeu o debate sobre violência sexual na Índia. Segundo o jornal The Hindu, o governo do estado de Haryana (norte) vai premiar as jovens por sua ;bravura; em 26 de janeiro, Dia da República no país.

O chefe do Executivo de Haryana, Manohar Lal Khattar ; e membro do Bharatiya Janata (Partido do Povo Indiano), que conquistou maioria no Parlamento em maio passado ;, informou à imprensa que cada uma das irmãs deve receber um prêmio no valor de 31 mil rúpias, equivalente a cerca de US$ 498. ;Toda garota deveria mostrar a coragem dessas duas meninas. Eu respeito sua bravura;, declarou Om Prakash Dhankhar, membro do governo local.

A tentativa de abuso ocorreu na sexta-feira passada, quando as jovens voltavam da faculdade. No entanto, as imagens do incidente ganharam projeção internacional somente ontem. No vídeo, capturado por uma passageira grávida que assistia à cena, Arti e Pooja reagem agressivamente contra três homens que estariam tentando molestá-las. Uma das jovem atacou o trio com golpes de cinto.

Após a divulgação das imagens, autoridades prenderam os três homens, na noite de domingo. Eles devem permanecer sob custódia até o próximo sábado. Segundo informações do The Hindu, moradores da vila de Kansla pediram a libertação dos suspeitos. Os residentes da região alegaram que a acusação de abuso sexual era falsa e que a briga teria sido motivada por uma disputa pelos assentos do coletivo.

As jovens, porém, mantiveram sua versão. ;Eles fizeram gestos, nos tocaram e insultaram;, relatou Pooja à imprensa. Segundo a estudante, um dos homens tentava puxar sua irmã pela mão e um outro a segurava pelo pescoço. ;Foi quando minha irmã tirou o cinto e começou a bater;, lembrou. Ela afirmou que nenhum dos passageiros se ofereceu para ajudá-las, apesar de as imagens mostrarem que um homem tentava afastar um dos molestadores de perto delas.

O vídeo do incidente viralizou rapidamente na internet e foi seguido pela hashtag #RohtakBravehearts (;Corações Valentes de Rohtak;), em referência à cidade em que as irmãs vivem e ao apelido dado à estudante de 23 anos que morreu depois de ter sido vítima de um estupro coletivo em um ônibus em Nova Délhi, em dezembro de 2012. A maioria dos comentários apoiava a reação das jovens indianas.

Cobrança
Repetidos casos de estupro e de assédio mostram que a violência sexual é um problema de grandes proporções na Índia. Dados da Iniciativa para Direitos Humanos da Commonwealth indicam que um estupro ocorre a cada 28 minutos no país. Quase 80% da população considera o policiamento e as leis contra abusos sexuais inadequadas para inibir ações do tipo, segundo estudo do Centro de Pesquisas Pew.

Apesar dos elogios e de mensagens de apoio à atitude das irmãs de Rohtak, a resposta das autoridades indianas foi alvo de críticas e cobranças. A chefe da Comissão Nacional para Mulheres, Lalitha Kumarmangalam, parabenizou as irmãs de Rohtak e exortou as autoridades a tomarem ;ações apropriadas;. ;Poucas garotas têm a coragem de reagir a molestadores. O governo deve agir;, afirmou à agência PTI.

Em um artigo publicado no site de notícias The News Minute, a jornalista Chitra Subramaniam considerou o prêmio oferecido às jovens ;vergonhoso;. ;É mais um distanciamento da sociedade a partir do seu próprio fracasso;, criticou. Para Subramaniam, a reação das jovens foi um ato de ;desespero; diante de uma ;sociedade conservadora e com muito medo de conversar consigo mesma; para ;descobrir a verdade; por trás da violência sexual.



Bofetada em modelo




A apresentadora de televisão e modelo indiana Gauahar Khan foi agredida por um homem da plateia por usar um vestido que ele considerava curto demais. Khan gravava um show de talentos musicais na cidade de Mumbai quando o jovem Mohammed Akil Mallick, 24 anos, iniciou uma discussão com a apresentadora durante um dos intervalos. O rapaz teria conseguido chegar ao palco e deu um tapa no rosto de Khan, que foi amparada por membros da equipe. Às autoridades Mallick afirmou que, ;por ser uma mulher muçulmana;, a moça ;não deveria usar um vestido tão curto;. O jovem foi detido e responderá judicialmente por agressão e intimidação criminosa, segundo o jornal Hindustan Times.




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