Caesb descarta reflexo de contaminação no DF

Caesb descarta reflexo de contaminação no DF

MATHEUS TEIXEIRA
postado em 02/12/2014 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 22/1/13)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 22/1/13)

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) admite a possibilidade de o lixão de Águas Lindas (GO) contaminar o Rio Descoberto, responsável por 65% do abastecimento de água da capital. A empresa refuta, no entanto, qualquer possibilidade de a situação afetar o DF: ;Essa contaminação poderia atingir somente pontos localizados abaixo da captação de água da Caesb, o que não impactaria em Brasília;, explicou a companhia, por meio de nota. Especialistas ouvidos pelo Correio temem o efeito que um lixão nas proximidades da barragem pode causar na oferta de água. Para eles, independentemente dos riscos, o tema exige um tratamento mais sério pelo Estado.


A Caesb alega que a região é monitorada por técnicos de forma permanente e que é impossível a água distribuída para o DF ser contaminada. ;A Usina fica abaixo do nosso ponto de captação. Ela fica fora da Bacia e também da Área de Proteção Ambiental (APA) do Descoberto. Portanto, se o lixão vier a contaminar o lençol freático da região, isso só poderia atingir o rio em locais que não captamos água;, detalhou a companhia.


O deputado distrital Joe Valle (PDT), que cobrou explicações à Agência Regularadora de Águas, Energias e Saneamento do DF (Adasa) e à Caesb, explica que está fazendo seu papel de parlamentar de fiscalizar qualquer ação que prejudique o cidadão. ;Se a Caesb está falando, deve ser verdade. Mas entrei com um requerimento e, por enquanto, não recebi a resposta oficial para termos mais detalhes e ficarmos tranquilos. Esse caso merece a maior atenção possível;, opina.


Um dos fatores que motivou o distrital a solicitar mais informações às instituições foi a indignação das pessoas com a situação. ;Eu recebi a denúncia e dei andamento a ela. Visitei a região e esse é o assunto mais comentado por lá. Portanto, não poderia me furtar de me aprofundar no caso e buscar uma resposta para os moradores;, explica. A presidente da Associação dos Produtores e Protetores da Bacia do Descoberto (Pró-Descoberto), Rosany Carneiro, fala da mobilização da comunidade e reclama que a associação nunca foi ouvida sobre o assunto. ;Implantaram um aterro sanitário aqui perto e sequer fizeram uma audiência pública para discutir o assunto;, critica.


O professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB), Gustavo Souto Maior, cobra maior integração entre Goiás e DF na execução de políticas públicas. ;O rio fica na divisa entre os dois estados e a preservação das redondezas tem de ser feita pelos dois lados. Isso quer dizer que não adianta Brasília cuidar da sua parte se não articular medidas com o vizinho;, ressalta. Para ele, é necessário mais cuidado e seridade por parte dos responsáveis no tratamento com o Rio Descoberto. ;Ele é responsável por mais da metade do abastecimento de água do DF. Todo cuidado é pouco com a região, o que não acontece atualmente, pois a cidade banhada pelo Descoberto, Águas Lindas, tem índices pífios em recolhimento de lixo e saneamento básico;, comenta.

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