São poucas emoções

São poucas emoções

Com apenas três times interessados, a última rodada será a mais fraca da era dos pontos corridos. Parceira que confeccionou a tabela de 2009 a 2011 %u2014 quando no mínimo três times brigaram pelo título até o fim %u2014 atribui prejuízo da CBF à economia de R$ 100 mil por ano

MARCOS PAULO LIMA RODRIGO ANTONELLI
postado em 02/12/2014 00:00
 (foto: Jeferson Guareze/Futura Press


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(foto: Jeferson Guareze/Futura Press )



A última rodada do Campeonato Brasileiro será uma das mais esvaziadas da era dos pontos corridos. No capítulo final marcado para o fim de semana, apenas três times entram em campo com algum objetivo crucial. Palmeiras, Vitória e Bahia lutam contra o rebaixamento. O bicampeão, Cruzeiro, e os outros classificados para a Copa Libertadores da América de 2015 via Série A ; São Paulo, Internacional e Corinthias ; estão todos definidos. Desfecho semelhante só o de 2006, quando Santos, Paraná e Vasco disputavam a última vaga do país para o torneio continental. O São Paulo já era campeão e o Z-4 estava consumado com as presenças de Ponte Preta, Fortaleza, São Caetano e Santa Cruz.

Em todas as outras edições da era dos pontos corridos, ao menos seis times chegaram à última rodada precisando de um resultado positivo para definir o destino (ler arte). No ano passado, o Cruzeiro havia comemorado o título nacional, mas a briga pelas duas vagas restantes no G-4 e para fugir do rebaixamento reservaram emoções até os últimos minutos. Quatro equipes brigavam para abocanhar uma vaga na Libertadores seguinte e outros três temiam a última vaga aberta na zona de rebaixamento.

O campeonato mais emocionante foi o de 2008. Naquela temporada, 11 times ainda poderiam mudar seus destinos dependendo do resultado na última rodada. A briga pelo título ainda estava em aberto, com São Paulo e Grêmio com chances, e havia uma vaga aberta no G-4 e outra na zona de rebaixamento. Três (Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo) corriam pela última vaga na Libertadores, enquanto outros seis (Flu, Santos, Náutico, Altético-PR, Figueirense e Vasco) ainda tinham chance de rebaixamento.

Tabela
Um dos motivos para a falta de emoção pode ser uma economia boba por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De 2009 a 2011, a tabela foi confeccionada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nas três edições, a última rodada chegou a ter no mínimo três times à caça do título. Havia, ainda, luta contra a queda. No entanto, a cúpula da CBF decidiu que não pagaria um tostão pelo aplicativo desenvolvido pela equipe de Otimização e Logística de Eventos Esportivos. O contrato custaria R$ 100 mil por ano à entidade.

;É disparada a pior última rodada da história na era dos pontos corridos. Não serve praticamente para nada;, diz ao Correio, por telefone, Celso Carneiro Ribeiro, professor da UFF, um dos responsáveis por produzir a tabela, de 2009 a 2011, ao gosto do freguês. ;Nos anos em que produzimos a tabela, no mínimo três times brigaram pelo título até a última rodada, sem contar a briga contra o rebaixamento. Nós fizemos até rodada de clássicos para evitar essa história de mala branca;, compara Celso.

Em entrevista recente à reportagem, o diretor do Departamento Técnico da CBF, Virgílio Elíseo, confirmou que a entidade desistiu da parceria devido a uma contenção de gastos. Com isso, a partir de 2012, a própria CBF passou a fazer tabela. Curiosamente, o Fluminense foi campeão antecipadamente naquela edição, e o Cruzeiro conseguiu o mesmo nas últimas duas temporadas.

Erros grosseiros, como times jogando duas vezes em casa ou duas fora nas últimas três rodadas, são apontados por Celso Carneiro Ribeiro como erros inaceitáveis. Ameaçado pelo rebaixamento, o Palmeiras, por exemplo, vem de duas exibições seguidas fora de casa ; derrotas para o Coritiba e o Internacional ; e só voltará a jogar em casa no domingo. ;A nossa tabela impedia dois jogos seguidos em casa ou fora nas quatro primeiras e nas quatro últimas rodadas;, revela o professor.

;É disparada a pior última rodada da história na era dos pontos corridos. Não serve praticamente para nada. Nos anos em que produzimos a tabela ( de 2009 a 2011), no mínimo três times disputavam o título até a última rodada, sem contar a briga contra o rebaixamento;
Celso Carneiro Ribeiro, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), ex-parceira da CBF

A matéria de capa do caderno de esportes do Correio, em 29 de setembro deste ano, alertava para o risco de o Brasileirão ter um fim esvaziado devido a problemas na confecção da tabela

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