Trânsito é o maior desafio do Plano Piloto

Trânsito é o maior desafio do Plano Piloto

Em média, os moradores do Plano Piloto têm uma renda de R$ 12,7 mil por mês. Pouco mais de 70% concluíram o ensino superior e não há analfabeto na região. A pesquisa da Codeplan mostra que a bicicleta é o segundo veículo mais usado

» CAMILA COSTA » NATHALIA CARDIM
postado em 04/12/2014 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)



Conhecida em todo o mundo pela moderna arquitetura, Brasília tem se revelado, depois de 54 anos, uma cidade além dos traços de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Reúne, hoje, a população com o mais elevado grau de escolaridade e com alta renda domiciliar do Distrito Federal. Dividida entre Asa Sul e Asa Norte, a região administrativa tem o maior fluxo de pessoas e enfrenta dissabores. Embora tenha muitas virtudes, a cidade apresenta enormes desafios a superar, com destaque para o trânsito.

A alta renda verificada no Plano Piloto está relacionada diretamente à posse de bens, de acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), divulgada ontem pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). Quanto maior a renda, mais a população se preocupa com investimentos. Nas asas Sul e Norte, dos 78.601 domicílios 57,04% deles são próprios. De acordo com o estudo, 43,72% das residência têm um carro e 43,79% dos domicílios contam com dois ou mais veículos.

O alto poder aquisitivo impacta na rotina da região. O servidor público Vinícius Bueno, 42 anos, tem um apartamento de dois quartos no Plano Piloto. A escolha do local foi motivada pelo desejo de morar perto do emprego. Apesar da praticidade, Vinícius reclama das dificuldades do trânsito. ;Alguns anos atrás, não se encontrava trânsito em nenhum lugar. Hoje, nos horários de pico, como a volta para casa, motoristas chegam a esperar entre 20 e 30 minutos para sair de uma tesourinha;, afirmou.

Tendência


Segundo o presidente da Codeplan, Julio Miragaya, a situação tende a piorar. Um dos motivos é o tombamento da cidade, que impede construções de mobilidade, como o alargamento das ruas e vias do Plano Piloto. ;A região sofre pressão constante para ampliar as possibilidades de utilização, mas isso choca com o tombamento. Cerca de 90% da população que mora aqui (Brasília) têm carro, mais da metade disso tem mais de um. Assim, os engarrafamentos tendem a piorar;, diz Miragaya. Alguns procuram outras opções para se locomoverem. Devido à proximidade dos ministérios e das sedes de empresas, a bicicleta é o segundo veículo, depois dos automóveis, com maior participação: 35,06%, seguida pela motocicleta, com 4,21%. A escolaridade da região sempre foi boa, segundo as pesquisas. Da última, em 2011, para agora, os indicadores são ainda melhores. Não existem analfabetos e 70,32% da população ; estimada em 221.223 habitantes ; têm nível superior completo. Ainda existem os que têm curso em nível de especialização (8,94%), mestrado (5,29%) e doutorado (2,09%).

A taxa positiva de escolaridade reflete na renda. A maioria dos moradores de Brasília ; 47,23% ; trabalha na administração pública federal e distrital, na qual os salários são mais altos. A média salarial domiciliar é de R$ 12.742. O vencimento por domicíliochega a 17,6 salários mínimos. O grupo mais expressivo de habitantes ; que corresponde a 33,66% do total ; chega a embolsar mais de R$ 14 mil por mês. Apenas 1,42% dos moradores vive com, no máximo, um salário mínimo.

Cerca de 56% da população de Brasília residem na região há 15 anos ou mais. É o caso da arquiteta Estela Oton, 52 anos, que vive na Asa Sul desde pequena. ;Quando nasci, meus pais já moravam na 108 Sul. Hoje, não estou mais no mesmo apartamento com eles, mas, quando decidi comprar o meu imóvel, quis ficar aqui. Dos meus 11 irmãos, oito optaram por continuar na quadra;, explicou. A brasiliense escolheu o Plano Piloto pelas opções de lazer e segurança. Essa característica é uma das principais diferenças entre as asas Sul e Norte. A parte norte do avião é a região de Brasília que ainda tem dinamismo habitacional. O crescimento populacional registrado de 2011 para 2014 está concentrado na área norte, onde ainda há espaço para novas construções.

Perfil

221.223 habitantes

População urbana estimada em Brasília, que compreende asas Sul e Norte, vilas Planalto, Telebrasília e Weslian Roriz, Setores de Oficinas, Armazenagem e Abastecimento, Indústrias Gráficas, e Setor Militar Urbano

22.259

Domicílios urbanos em Brasília/Plano Piloto: 57,04% são próprios e 28,56% são alugados. Os funcionais representam pouco mais de 8%

Divisão da população

Masculina 102.564 (46,36%)

Feminina 118.659 (53,64%)

Idade (do total de habitantes)

40 a 59 anos 59.130 (26,73%)

25 a 39 anos 54.378 (24,58%)

15 a 24 anos 27.532 (12,45%)

Acima de 60 anos 52.422 (23,69%)

Renda

Renda domiciliar
(em salários mínimos) ;
17,54 (Asa Norte)
19,65 (Asa Sul)

Renda per capita
(em salários mínimos)
7,72 (Asa Norte)
8,12 (Asa Sul)

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