A insatisfação do PMDB

A insatisfação do PMDB

Integrantes da legenda estão impacientes com a falta de definição de Dilma em relação aos comandos dos ministérios. Para tentar acalmar correligionários, Temer garantiu que o partido terá seis pastas

GRASIELLE CASTRO NAIRA TRINDADE
postado em 04/12/2014 00:00
 (foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados)
(foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados)

Enquanto a presidente Dilma Rousseff não decide qual a participação do PMDB na composição do novo desenho da Esplanada, peemedebistas se rebelam contra os nomes que circulam na lista de mais cotados para assumir os cargos. Com a missão de acalmar os insatisfeitos, o vice-presidente, Michel Temer, se reuniu ontem com alguns integrantes da bancada da Câmara e insistiu que nada está definido. Interlocutor das negociações com a presidente, Temer negou até que o nome da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), dado como certo para comandar o Ministério da Agricultura, esteja confirmado. Aos deputados, o vice-presidente garantiu que se reunirá novamente com os correligionários antes de bater o martelo.

A única certeza dada por Temer é a de que o número de ministérios sob o comando do partido passará de cinco para seis. A expectativa dos peemedebistas é ter um cenário mais sólido no início da próxima semana, quando o vice-presidente retorna de uma viagem ao México. No Planalto, entretanto, a informação que circula é que os nomes de Eduardo Braga, Eliseu Padilha, Henrique Eduardo Alves, Kátia Abreu e Moreira Franco são dados como certo. Outro nome que desponta para entrar nesse rol é o do senador Eunício de Oliveira (CE). Embora tenha rejeitado o Ministério da Integração quando foi oferecido, ele voltou a ser cotado para assumir a pasta. Um cacique do partido o defende: ;Ele fez campanha para a presidente, colocou a imagem dela no material, se empenhou;. Também entrou na cota de participação do partido no governo a indicação do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para o Tribunal de Contas da União (TCU).

Vitrine
O que falta é a presidente definir aonde vai cada peça do tabuleiro. Apenas o futuro de Kátia Abreu na Agricultura e de Moreira Franco, que continua na Secretaria de Aviação Civil, estariam fechados. A tendência é que Braga seja nomeado para Minas e Energia, Padilha para o Turismo e Alves para a Previdência. O presidente da Câmara, entretanto, também disputa com Eunício a indicação para a Integração, que seria a sexta pasta do partido. Entre os deputados, porém, há a crítica de que falta à legenda uma pasta com vitrines eleitorais ; o caso da Integração, se for confirmada. Outro desejo do PMDB é o Ministério da Saúde ou das Cidades, que tem obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e controla o Minha Casa, Minha Vida.

Há também a reclamação entre os parlamentares de que o partido não tem nenhum ministro com força no trato político. ;É fundamental que a presidente consiga um craque para a área política, que saiba negociar, conversar e colocar a frente os interesses para as votações. Esses problemas com o orçamento seriam resolvidos, se houvesse mais diálogo. Falta comunicação com as Casas legislativas e assim são erros atrás de erros;, diz um tradicional peemedebista. Outro correligionário acredita que a indicação de Padilha pode suprir essa lacuna. ;Mas não há garantias de que ele será nomeado;, retruca um aliado.

R$ 5,9 bilhões
Orçamento previsto para o Ministério da Integração Nacional em 2015, pasta já garantida pela legenda

Raimundo Lira no Senado

Economista, o empresário Raimundo Lira é o primeiro suplente de Vital do Rêgo (PMDB-PB) para a assumir a vaga dele no Senado para os próximos quatro anos. Filho de José Augusto Lira e França Oliveira Lira, Raimundo lançou a candidatura a senador pelo PMDB em 1986, sendo eleito na vaga também disputada por Wilson Braga. Em 1994, candidatou-se novamente, mas não conseguiu se eleger, ficando no cargo até 1995. Em 2010, Lira foi eleito suplente de Vital. Empresário, ele é formado em Economia pela Universidade Federal da Paraíba. Chegou a dar aulas de economia brasileira na Universidade Regional do Nordeste, hoje UEPB, e foi vice-presidente do Conselho de Administração do Banco do Estado da Paraíba (Paraiban).

Os cotados do PMDB

Eduardo Braga (AM)
Ministério de Minas e Energia

Eliseu Padilha (RS)
Ministério do Turismo

Eunício Oliveira (CE)
Quer o Ministério da Integração

Henrique Eduardo Alves (RN)
Ministério da Previdência ou Integração

Kátia Abreu (TO)
Ministério da Agricultura

Moreira Franco (PI)
Secretaria de Aviação Civil

*Vital do Rêgo (PB)
Tribunal de Contas da União (TCU)

* Embora não tenha sido nomeado para o comando de um ministério, a indicação foi contabilizada como parte da participação do PMDB no governo.

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