Manifestantes, lá fora

Manifestantes, lá fora

» NAIRA TRINDADE
postado em 04/12/2014 00:00
 (foto: Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados)
(foto: Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados)



Um dia após as cenas de vaias e pancadaria vistas na noite de terça-feira nas galerias do plenário da Câmara, o Congresso virou uma caixa-forte. Todas as entradas fechadas para os cidadãos comuns. Quem não era servidor ou não tinha credencial para ingressar no prédio ficou de fora. Com isso, o tumulto se repetiu na chapelaria do Senado e da Câmara, incluindo personagens conhecidos, enquanto o presidente do parlamento, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), tentava acelerar a votação dos dois vetos presidenciais que trancavam a pauta para, finalmente, aprovar o projeto de lei que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e elimina a meta fiscal do governo para este ano.

Parlamentares da oposição criticaram a permanência das galerias vazias. Um dos mais indignados foi o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO): ;agora, quando é para apagar as digitais da presidente de um crime, fecharam as portas. Baixou o espírito de Hugo Chávez na presidente;. ;Esse Congresso não é venezuelano;, gritou. Do lado de fora, um dos mais afoitos entre os manifestantes era o cantor Lobão. Ele havia se encontrado com oposicionistas, recusou-se a acompanhar a sessão sozinho nas galerias e fez um apelo para que as pessoas protestassem.

;Quem não puder vir (ao Congresso), telefone para seu parlamentar, vá para a internet, faça todo o barulho possível, espalhe, não permita que isso ocorra;, disse Lobão. ;É uma ditadura. Estamos levando um golpe e não vamos permitir isso;, emendou. Logo depois, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência, era ovacionado pelos presentes ao chegar ao local. O senador José Sarney (PMDB-AP), contudo, sofreu um constrangimento ao sair desavisado. Ele foi hostilizado pelo grupo, que cercou o carro dele, quase impedindo o de deixar a Casa.

Aprendizado
A barganha institucionalizada pelo decreto (8.367/2014) da presidente Dilma Rousseff, que condiciona a liberação de R$ 10,3 bilhões em emendas parlamentares à aprovação do PLN n; 36 gerou indignação entre parlamentares. Depois de o senador Pedro Simon (PMDB-RS) protocolar anteontem projeto de decreto legislativo para anular a medida, o PSol protocolou ontem projeto semelhante na Câmara (PDC).

O líder do partido, deputado Ivan Valente (SP), solicitou aos parlamentares que assinassem requerimento de urgência ao PDC, argumentando que o decreto é inconstitucional. ;Não é admissível a coação de parlamentares;, disse. (RH)

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