US$ 3,5 bi saem do país

US$ 3,5 bi saem do país

Com a economia em marcha lenta, investidores batem em retirada e o fluxo cambial de novembro é o pior do ano

» DECO BANCILLON
postado em 04/12/2014 00:00
Em meio à desaceleração da economia e diante de perspectivas pessimistas também para 2015, muitos investidores decidiram bater em retirada do país e passaram a levar consigo seus dólares em novembro. O saldo de entrada e de saída de recursos em moeda norte-americana, em novembro, ficou no vermelho em US$ 3,507 bilhões no mês passado. Foi o pior resultado desde dezembro de 2013, informou ontem o Banco Central (BC).

Tanto a balança comercial quanto as transações ligadas a operações financeiras registraram deficit nessa conta. Os valores que deixaram o país via importações superaram o volume de exportações US$ 1,358 bilhão, o maior saldo negativo em três meses. Já as saídas de dólares da bolsa e de outras aplicações financeiras, como títulos públicos, superaram as retiradas em US$ 2,149 bilhões no mês ; o pior rombo em quatro meses.

Não se trata de um evento pontual. ;O fluxo de dólares já vinha piorando recentemente. Então, esse mau resultado de novembro já era esperado;, disse o operador de Câmbio da corretora B Marcos Trabbold. Ele chamou a atenção para o fraco saldo da balança comercial, que ainda reflete a debilidade da indústria e a desaceleração dos preços das commodities no mercado internacional.

Remessas
Outro item que tem contribuído para o fluxo negativo é a falta de investimentos no país. No ano, até setembro, a taxa que mede os aportes na compra de empresas ou na ampliação de capacidade produtiva despencou 7,4%, informou na última sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou para 17,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre.

Isso tem reflexo também sobre a entrada de dólares para aplicações financeiras, como em ações, disse o especialista. ;A bolsa está meio de lado, então o pessoal deixa de trazer recursos para cá, reduzindo tudo, até os investimentos diretos;, assinalou Trabbold.

Mas ainda pior do que observar os resultados passados, diz o especialista, é ter em mente que, nos próximos meses, o fluxo de dólares tende a ser cada vez mais negativo, por fatores sazonais. Em dezembro e janeiro, muitas subsidiárias de empresas multinacionais elevam as remessas de lucros e dividendos para suas matrizes, após o fechamento dos balanços.

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