Drama para concurseiros

Drama para concurseiros

Alunos do Vestcon que tentam romper contrato com o grupo registram ocorrência na 2ª DP e recorrem ao Procon

postado em 04/12/2014 00:00
 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 22/12/13
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(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 22/12/13 )


A crise financeira por que passa o país, com inflação alta e economia praticamente paralisada, atingiu em cheio o Grupo Vestcon, que oferece cursos preparatórios presenciais e apostilas de estudo para concursos públicos. O clima está tenso nas unidades do cursinho, com alunos sem aula, funcionários sendo demitidos e quase nenhuma informação sendo prestada. No Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon-DF), 39 reclamações já foram registradas contra o grupo. E na 2; Delegacia de Polícia, diversas ocorrências foram feitas por alunos que não estão conseguindo romper o contrato com o curso.

Em entrevista ao Correio, em 24 de novembro, Ernani Pimentel, dono do Vestcon, admitiu que o setor está sofrendo com a crise econômica: ;A sensação que temos é a de que o dinheiro parou de circular em todos os segmentos empresariais;. Segundo ele, o endividamento das famílias gera cortes nos investimentos em estudos, o que atinge os cursinhos, e o enxugamento de quadro de funcionários é inevitável. ;Estamos convivendo com o seguinte dilema: baixar preço ou manter os valores e reduzir a quantidade de alunos;, concluiu.

Frente à evasão de até 60% das turmas ao longo de 2014, os cursos preparatórios devem reduzir em pelo menos 20% o valor das mensalidades no próximo ano para tentar se manter. Ontem, Pimentel não foi encontrado para comentar a situação do grupo, mas na última entrevista ao Correio, explicou que a nova estrutura das escolas preparatórias ficará mais clara este mês, quando as aulas são interrompidas e o planejamento do próximo ano será fechado, com base na quantidade de concursos previstos.

Na última segunda-feira, os estudantes do Vestcon foram avisados, após o intervalo da aula, que o curso estaria fechando as portas. O Procon-DF divulgou, em nota, que um processo administrativo será instaurado para verificar as denúncias. Uma aluna da unidade da Asa Norte, que preferiu não ser identificada, afirmou que os problemas no grupo são antigos. ;Vários alunos que tentam o reembolso desde o início do ano ainda não obtiveram resposta, e os professores dizem que desde julho não recebem pagamento. Na última semana, o presidente do grupo nos confessou que eles estavam passando por dificuldades financeiras e que 85% dos funcionários haviam sido demitidos;, contou a estudante.

Desinteresse

Apesar das dificuldades, segundo os alunos, o presidente do Vestcon assegurou que as turmas voltariam normalmente em 15 de janeiro. No entanto, muitos estudantes, diante de tanta insegurança, perderam o interesse em continuar no cursinho e se queixam de não conseguir romper o contrato com o grupo. ;Ontem, recebi uma mensagem avisando que voltaríamos a ter aulas, mas não desejo mais ser aluna do curso ou obter reembolso, quero apenas me desvincular e não consigo contato com a secretaria, seja por telefone ou e-mail;, reclama a aluna, que, juntamente com colegas, registrou queixa na 2; DP.

O grupo, fundado em 1991, possuía cerca de 220 funcionários, 700 autores e professores e 290 parceiros, entre representantes e distribuidores. A empresa afirma que cerca de 7 mil títulos foram publicados pela Editora Vestcon e mais de 430 mil alunos foram aprovados em certames. Em média, as mensalidades cobradas variam de R$ 6 mil a R$ 8 mil.

De acordo com fontes ligadas a este mercado, o Grupo Vestcon está em séria dificuldade econômica, com dívidas com fornecedores e instituições financeiras. ;Basicamente, gastavam dinheiro que ainda não havia entrado em caixa;, disse a funcionária, que espera receber R$ 7 mil de dívidas trabalhistas. Aos trabalhadores, o presidente do Grupo, Ernani Pimentel, teria dito que, para receberem os atrasados, teriam que entrar na Justiça. Alguns, inclusive, já entraram com ação no Tribunal Regional do Trabalho da 10; Região (TRT-10). A demora para o depósito do rendimento dos trabalhadores chegava a até 15 dias. ;Era pago metade no meio do mês e o restante ao fim;, afirmou um ex-funcionário.

Inscrições até segunda
Os interessados em uma vaga de defensor público federal têm somente até segunda-feira para se inscrever. São 58 vagas, incluindo cadastro reserva, para a Defensoria Pública da União, com salário de R$ 16.489,37. As inscrições só podem ser feitas pela internet, no site da banca organizadora, que é o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB). A taxa de inscrição é de R$ 180. Para participar, é preciso ser bacharel em direito, ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e experiência de, no mínimo, três anos em atividades jurídicas. A prova objetiva está marcada para 7 de fevereiro, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

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