A educação em 2014

A educação em 2014

MOZART NEVES RAMOS Diretor do Instituto Ayrton Senna, foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco, secretário de Educação de Pernambuco e membro do Conselho Nacional de Educação
postado em 04/12/2014 00:00



O fato mais importante no campo da educação em 2014 foi, sem dúvida, a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) após mais de três anos de discussão no Congresso Nacional. O PNE traz as grandes diretrizes e metas da educação brasileira para os próximos 10 anos. Caberá agora aos estados e municípios, no prazo de um ano, a partir da sanção pela presidente Dilma Rousseff, ocorrida em 25 de junho (Lei n; 13.005/2014), a elaboração dos respectivos planos. Não será tarefa simples, considerando-se que 2014 foi ano eleitoral. O cumprimento já se configura como o primeiro teste para o novo PNE.

O ano de 2014 foi aquele em que tardiamente os diferentes setores da educação entenderam a importância de estruturar a Base Nacional Comum (BNC) para o currículo escolar. Nesse sentido, há que louvar os esforços da sociedade civil de contribuir para a construção da BNC mediante iniciativa liderada pela Fundação Lemann.

Foi também o ano em que o Instituto Ayrton Senna (IAS) desenvolveu, em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério da Educação (MEC), um instrumento capaz de avaliar o impacto das habilidades socioemocionais na aprendizagem escolar. A iniciativa contribuirá enormemente para que o país possa dar um salto de qualidade no setor.
Isso foi percebido de imediato por muitas secretarias estaduais e municipais de Educação, que já constituíram uma rede de cooperação com o IAS. A sua importância foi também reconhecida por dezenas de universidades que se habilitaram ao Edital da Capes e do IAS para a realização de estudos e formação de professores de educação básica no campo das habilidades socioemocionais.

E, mais recentemente, em discurso proferido na abertura da Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília, a presidente Dilma Rousseff, ao se referir à importância das creches para as crianças, foi enfática ao afirmar que ;é importante que as crianças ; as nossas crianças, os brasileirinhos e brasileirinhas ; tenham condições de, no adequado percurso educativo, aperfeiçoar, despertar, incentivar suas habilidades cognitivas e socioemocionais para terem êxito ao longo de toda a vida educativa;.

A integração das habilidades cognitivas e socioemocionais no currículo escolar promoverá de fato uma educação integral e plena para crianças e jovens. Mais uma boa notícia surge ao apagar das luzes de 2014. Um grupo de renomados cientistas que trabalham em diversas áreas do conhecimento, em especial no campo das neurociências, criou a Rede Ciência para a Educação (CpE), com o apoio do Instituto Ayrton Senna e da Capes.

O foco de atuação se concentrará no esforço de conduzir estudos capazes de investigar como ocorrem os processos de ensino e aprendizagem, gerando evidências científicas que possam subsidiar melhores práticas pedagógicas e, assim, melhorar o aprendizado escolar. Segundo um dos organizadores da CpE, Roberto Lent, da UFRJ, ;há entre os pesquisadores um consenso de que a comunidade cientifica precisa se mobilizar para reverter o enorme atraso educacional do país;.

Os desafios educacionais ainda são muitos, especialmente quando nos deparamos com as baixas taxas de aprendizagem escolar das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio. Mas os desafios foram feitos para serem vencidos e, se houver um esforço nacional, o país poderá mais rapidamente chegar ao tempo tão sonhado ; a educação de qualidade para todos os brasileiros, independentemente da região em que morem, da escola em que estudem ou da família a que pertençam.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação