Indício de golpe derruba funcionário do Guará

Indício de golpe derruba funcionário do Guará

SAULO ARAÚJO
postado em 04/12/2014 00:00

Acusado de integrar uma organização criminosa suspeita de fraudar corridas de rua no Guará, o gerente de esporte e lazer da Administração Regional da cidade, Mauricélio Matos, foi exonerado do cargo ontem. Ele é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal como um dos articuladores de um esquema que consistia em desviar recursos do GDF destinados à promoção de provas na cidade.

Mauricélio e mais 12 pessoas, incluindo o presidente da Federação de Atletismo do DF (FAtDF), coronel Paulo Roberto Maciel, foram alvos da Operação Pierre de Coubertin, deflagrada na última terça-feira pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco). Todos prestaram depoimento e foram liberados. Eles teriam desviado pelo menos R$ 197 mil de quatro provas realizadas no Guará e no Gama, entre maio de 2012 e junho de 2013, mas o esquema pode ser muito maior. Outras 15 corridas realizadas pela Federação em parceria com as duas administrações são investigadas.

O agora ex-gerente de esportes e lazer foi o responsável por elaborar o projeto básico para a realização da 4; Corrida de Rua do Guará, em 15 de maio de 2012. O contrato firmado entre a FAtDF e a Administração do Guará mostra que, sem qualquer detalhamento de preço, o presidente da instituição e Mauricélio pediram ao GDF R$ 50 mil para a realização do evento.

Chamou a atenção dos investigadores o valor muito superior ao empenhado na mesma prova, realizada no ano anterior, quando foram solicitados R$ 2 mil, ou seja, em apenas um ano, houve aumento de 2.500%.

A Operação Pierre de Coubertin ainda comprovou desvios de recursos públicos para a empresa Centro Clínico Medvita Ltda., de propriedade de Dorani Rodrigues de Oliveira, esposa do diretor financeiro da Federação, Laércio Carlos Rodrigues. Um dos rastros deixados por eles foi a realização de um saque vultoso em nome da empresa logo após o GDF depositar uma quantia para a realização da Guará Kids, em 2012.

Os investigados na operação da Deco devem responder pelos crimes de associação criminosa, peculato e falsidade ideológica. Eles foram alvos de condução coercitiva ; ato em que os investigados são obrigados a prestar depoimento. Na prática, trata-se do passo anterior à prisão. A depender das investigações, a autoridade policial pode pedir ao Judiciário a prisão deles.

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