Nova denúncia atinge comando da Petrobras

Nova denúncia atinge comando da Petrobras

Graça é envolvida em novas denúncias que indicam a conivência dela com a corrupção. Oposição exige a demissão da executiva

JOÃO VALADARES
postado em 13/12/2014 00:00
 (foto: Dida Sampaio/Agência Estado - 28/3/07)
(foto: Dida Sampaio/Agência Estado - 28/3/07)

Dois dias após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter sugerido a demissão da atual diretoria da Petrobras, novas denúncias colocam a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, blindada pelo Planalto, no centro do escândalo de corrupção entranhado na petrolífera. Mensagens de e-mails, encaminhadas desde 2009 pela ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento Venina Velosa da Fonseca, indicam que Foster foi alertada sobre ilegalidades em contratos e licitações. Ontem, a oposição cobrou a demissão da presidente da empresa e confirmou que o nome de Foster será incluído na lista de indiciados do relatório paralelo da CPMI da Petrobras. O documento, preparado pelos oposicionistas, será apresentado na próxima quarta-feira.

A denúncia contra a presidente da Petrobras foi publicada na edição de ontem do jornal Valor Econômico. Informações de bastidor apontam que as revelações causaram um grande mal-estar no Planalto. Dentro do PT, a avaliação é de que a situação de Foster ficou insustentável. Petistas avaliam que a presidente da República deve agir rapidamente para tentar evitar novos ataques.

De acordo com a reportagem, ela foi alertada, inicialmente, a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, administrada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012. As primeiras denúncias de Venina tiveram como foco pagamentos de R$ 58 milhões por serviços que não foram realizados na área de comunicação da estatal, em 2008. Ela teria procurado o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa para reclamar das irregularidades.

Um ano depois, Venina encaminhou um e-mail para a diretoria de Gás e Energia, comandada por Graça Foster na época, informando sobre desvios na implantação da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. As obras, que inicialmente foram orçadas em US$ 4 bilhões, chegou a US$ 18 bilhões após assinaturas de contratos aditivos. Depois que as denúncias foram encaminhadas, a ex-gerente foi transferida para Cingapura, na Ásia, e, em novembro, afastada da petroleira. Conforme a denúncia, neste ano, antes da deflagração da Operação Lava-Jato, Graça Foster foi alertada novamente. Dessa vez, as mensagens indicavam cometimento de fraudes em unidades da Petrobras no exterior.

Na terça-feira, poucas horas depois do pronunciamento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, superior hierárquico da Polícia Federal, à frente das investigações da Lava-Jato, convocou uma entrevista coletiva e saiu em defesa da atual diretoria da Petrobras. Afirmou que não há informações de que eles tenham cometido atos ilícitos e, por isso, devem permanecer nos cargos. ;Não estou dando recado, mas uma posição do governo a partir de uma sugestão do procurador-geral da República. Estou dizendo que não há indício contra a atual diretoria.;

Ontem, a Câmara dos Deputados encaminhou ao Ministério da Justiça pedido de proteção policial para Venina. A solicitação foi feita pela liderança do DEM na Casa. ;Os integrantes da diretoria não têm a menor condição de permanecer, a começar pela presidente Graça Foster. Diante dessas graves denúncias com provas publicadas no Valor Econômico, o mínimo a fazer é substituir toda a cúpula da empresa em nome da preservação da estatal, destroçada pelo governo do PT. Graça Foster se omitiu, o que é inadmissível;, declarou o líder da legenda, deputado Mendonça Filho. Ele confirmou ainda que a nova CPMI, que deve ser instalada no início da próxima legislatura, terá como uma das primeiras providências o depoimento de Venina da Fonseca.

Comissões internas
Em nota oficial, a Petrobras comunicou que, após receber as denúncias, instaurou comissões internas ;em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento;. Ainda de acordo com o comunicado, ;o ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 3 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da companhia. Porém, a demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica, vindo a ocorrer em 2013.;

A estatal assegurou que o resultado das análises realizadas foi encaminhado às autoridades competentes. ;Como mencionado em comunicados anteriores, a Comissão Interna de Apuração constituída para avaliar os processos de contratações para as obras da RNEST (refinaria Abreu e Lima) concluiu as apurações e encaminhou o relatório final aos órgãos de controle e autoridades competentes;, diz a nota. A companhia alega que apurou todas as informações repassadas pela ex-gerente.

Sobre as denúncias relacionadas a negócios no exterior, a petroleira ressalta que aprimorou os procedimentos de compra e venda e adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. Segundo a Petrobras, a área responsável pela fiscalização pelo controle de perdas de óleo combustível não constatou nenhum problema entre 2012 e 2014.
Colaborou Grasielle Castro

Na corda bamba/ Os principais executivos da Petrobras e seus padrinhos

Maria das Graças Foster, presidente
; Eleita em fevereiro de 2012, tem mais de 30 anos de experiência na empresa. É integrante do Conselho de Administração e diretora da Área de Negócio Internacional da companhia. Já foi presidente da Petrobras Química S.A. (Petroquisa) e presidente e diretora financeira da Petrobras Distribuidora S.A.
Quem indicou: Dilma Rousseff

Almir Guilherme Barbassa, diretor Financeiro e de Relações com os Investidores

; Ocupa o cargo desde 2005. Foi gerente executivo de Finanças de 1999 a 2005. Atuou como gerente financeiro da subsidiária Petrobras América em Houston por três anos. É integrante do Conselho de Administração da Braskem S.A. desde 2010.
Quem indicou: José Sérgio Gabrielli, petista e ex-presidente da Petrobras

José Miranda Formigli Filho, diretor de Exploração e Produção

; Está no cargo desde 2012. Em 2008, foi nomeado gerente executivo da área criada para o planejamento e desenvolvimento das descobertas do pré-sal. Ingressou na Petrobras em 1983 e fez o curso de formação em Engenharia de Petróleo. É integrante do Conselho de Administração da Petrobras Gás S.A. (Gaspetro).
Quem indicou: Maria das Graças Foster

José Alcides Santoro Martins, diretor de Gás e Energia
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