Pista não elimina risco para pedestre

Pista não elimina risco para pedestre

A criação da faixa exclusiva para cooper no Parque da Cidade obrigará o usuário a cruzar a pista destinada às bicicletas a fim de chegar ao banheiro e aos vestiários

postado em 13/12/2014 00:00
 (foto: André Violatti/Esp.CB/D.A Press)
(foto: André Violatti/Esp.CB/D.A Press)


A construção da faixa exclusiva para cooper não vai reduzir o risco de acidentes no Parque da Cidade. Da forma como foi planejada, quem caminha terá que cruzar a pista destinada à circulação das bikes para chegar aos banheiros e vestiários. Há uma semana, Graciema Perfeito Castro, 74 anos, acabou atropelada por um estudante de arquitetura justamente quando saía do banheiro. Ela morreu dois dias depois, de traumatismo craniano.

Segundo o Departamento de Trânsito (Detran) do DF, entre 2003 e 2013, houve 534 mortes no Distrito Federal provocadas por acidentes envolvendo bicicletas. Desse total, 509 vítimas eram os próprios ciclistas e, em quatro casos, eram os pedestres. Ontem, o Correio conversou com frequentadores do Parque da Cidade. A maioria pede prioridade na segurança do local. ;Não se pode esperar que outro acidente aconteça;, pede José de Oliveira Souza Júnior, triatleta há 40 anos.

Atualmente, pedestres, ciclistas, skatistas e patinadores dividem a mesma pista. No fim de semana, a quantidade de frequentadores aumenta, inclusive crianças e animais de estimação. Com incremento de público, cresce também o perigo. Para os usuários, faltou planejamento no projeto da nova pista de cooper. O ciclista Igor Manoel Medeiros Terra vai ao parque quatro vezes por semana, duas como ciclista e outras duas como pedestre. Segundo ele, o risco é evidente para ambos os lados. ;O ciclista fica com a insegurança de bater em alguém, e quem está caminhando ou correndo, aflito com as bikes;, diz.

Uma das principais críticas ao projeto em execução se refere justamente aos cruzamentos que os pedestres terão de fazer. ;Existe essa discussão desde o inicio da obra. Só vão perceber o perigo quando der confusão;, acredita Igor Manoel. Inicialmente a obra estava prevista para ser entregue amanhã. Mas só estará disponível em março de 2015. A nova via ainda está sem sinalização, iluminação e parte dela nem sequer tem pavimentação. ;A obra não foi pensada para o usuário. Tanto é que está abandonada;, critica José.

A administradora do Parque lamentou a demora na entrega da faixa de cooper. ;Esperamos que em março esteja concluída. É uma pena que os frequentadores tenham que esperar mais por esse espaço;, disse Juliana Neto. Em nota, a Secretaria de Obras nega o atraso na entrega da obra iniciada em 11 de setembro deste ano ao custo de R$ 5,2 milhões. E diz que não houve paralisação dos serviços. ;A nova pista terá 10km de extensão por 5m de largura e vai separar o fluxo de pedestres do fluxo de ciclistas. Na maioria do seu percurso a nova pista será paralela a já existente;, informa. Sobre o risco dos cruzamentos de pedestres, a assessoria de comunicação não respondeu.

A secretaria garante que a obra não está paralisada. ;Apenas tem sido prejudicada em função das chuvas, o que inviabiliza o serviço de terraplenagem.; Atualmente, já foram executados entre 15% e 20% do total da obra. O Departamento de Trânsito (Detran-DF) descartou a possibilidade de se colocar agentes de fiscalização no local para evitar novos acidentes. ;Não é possível, pois, a faixa de cooper deve ser usada para descontração e divertimento;, informou em nota.


Das 534 vítimas de acidentes envolvendo bicicletas entre 2003 e 2013, quatro eram pedestres. As colisões são maioria das ocorrências fatais com bikes. Dos 528 casos, apenas cinco foram atropelamentos.

Fatalidades

Vítimas mortas em acidentes envolvendo bicicletas entre 2003 e 2013

Total de mortos Ciclista Passageiro Motociclista Pedestre Outro
534 509 12 8 4 1

Tipos de acidentes fatais envolvendo bicicletas entre 2003 e 2013

Colisão Queda Choque com objeto fixo Atropelamento de pedestre Outro Capotagem
484 31 5 5 2 1

Fonte: Detran





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