Márcio cotrim

Márcio cotrim

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postado em 13/12/2014 00:00

Brasil, louro Brasil




Já passou, nem deixou saudade muita, agora só uma vaga lembrança dos tumultuados dias que vivemos neste 2014. Expectativas frustradas, perplexidade com infinda roubalheira coroada pela impunidade, o vexame de um inimaginável 7 x 1 e o sesquipedal aumento da violência badalada toda noite na TV por repórteres histéricos, que não se cansam de achincalhar os políticos e sugerir, afinal, sua Pomada Maravilha , a tão ansiada pena de morte.

Eis o país que penetra em 2015 embalado pelas mesmas mensagens otimistas de todo ano mas, desta vez, diante de um céu em que o anil que sempre o animou se vê ofuscado por nuvens plúmbeas ; embora certamente passageiras, pelo extraordinário vigor das riquezas que nos asseguram um futuro inexoravelmente espetacular.

Apesar dos brutais desníveis sociais que escandalizam, continuam levados ao ar pela mídia glamurosos anúncios exibindo opíparos cafés da manhã da elite tupiniquim, crianças socadas de vitaminas e lourinhas de olhos azulíssimos, em meio a fraldas e talcos que só faltam levar seu inebriante perfume ao telespectador como na Estocolmo retratada em recente Globo Repórter por Sérgio Chapelin e Glória Maria.

; Tão recorrente assunto já nem causa mais espanto, como que se incorporou ao quotidiano. Quase ninguém se lembra de que mais da metade dos brasileiros ; repito, mais da metade dos brasileiros! ; é parda ou negra, segundo insuspeitos levantamentos.

A camada mais consciente de nossas gentes já está exausta de ver manadas de sujeitos e sujeitas invadindo lojas em frenética busca de ofertas mentirosas anunciadas aos berros prometendo violenta queda de preços (quais os preços anteriores?) e taxas zero (que diferença faz?) a nos azucrinar as oiças.

Dá pena ver sujeitos saindo exultantes das lojas abraçados a enorme máquina de lavar, na pura convicção de que fizeram bom negócio e darão alegria à cabrocha, mas nem imaginam quantas vezes custará a compra!

É a globalização, assegura a criatura desinformada e vergada pelos juros que comprometerão seu orçamento pessoal e familiar pelos meses, talvez anos, que virão.

E que dizer dos pátios de venda e revenda de automóveis? Lá estão os compradores para serem depenados pelo implacável sistema financeiro. A alegria do carro com cheirinho de novo só se compara ao infortúnio trazido pelos compromissos assumidos pelo comprador.

Ele imagina vagamente mas mal sabe, de fato, o que o espera. Logo chegarão as cobranças do seguro, revisões periódicas do veículo, prestações com correção e outros penduricalhos apresentados por mocinhas charmosas.

lNa prática usual do mercado, o comprador que vá para casa levando um monte de carnês para pagar. Se não pagar, seu carro novo estará inapelavelmente perdido para a firma que o financiou. É assim que funciona, desculpas não são aceitas. O pobre coitado tem que ouvir a frase clássica que comanda os negócios: ;Isto aqui é uma casa de negócios, e não de caridade;.

O fato é que a publicidade desconhece olimpicamente a realidade que salta aos olhos de qualquer transeunte. Claro que os consumidores de maior poder aquisitivo se situam na minoria branca, e estamos conversados.
Ligamos a TV, abrimos as revistas e os jornais e nos sentimos como que vivendo em outro país, frio, distante, insensível. Como consolo, ainda podemos retornar ao Brasil simplesmente fechando a revista, desligando a TV, abrindo um bom livro, saboreando delicioso cafezinho e colocando os pés na rua . . .


;Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia sem humilhar o derrotado, pois o mundo pertence a quem se atreve. Nunca se esqueça de que a vida é muito curta para ser insignificante;

Charles Chaplin

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