Bianchetti presente

Bianchetti presente

A tradicional exposição de fim de ano do artista acontece pela primeira vez desde a morte dele, no início do ano. A família abre a casa para todos os admiradores de sua obra

» PAULA BITTAR ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 13/12/2014 00:00
 (foto:  TV Brasil/Divulgação)
(foto: TV Brasil/Divulgação)









A casa-atêlie de Glênio Bianchetti é um refúgio para a arte. As paredes de tijolo aparente em contraste com o verde de fora proporcionam a calma que o visitante precisa para admirar as cores das peças que o artista deixou. A luz que entra pelas grandes janelas reforça o convite para a contemplação. Ali, um dos mais expressivos nomes da arte contemporânea brasileira, morto em 18 de fevereiro, viveu por 32 anos. O tempo passou para o homem, mas o colorido intenso de uma gravura datada de 1985, permanece. É a partir dessa imortalidade de sua obra, que a família dá continuidade à genialidade de seu legado.

A exposição de fim de ano é uma tradição que se iniciou há quatro décadas. ;Começamos a fazer a mostra com quadrinhos pequenos, de 20x15 cm mais ou menos, em um apartamento que tínhamos na 305 Sul. Na época, o trabalho do Glênio já tinha um preço não muito acessível para o pessoal jovem que queria começar a colecionar arte. Assim, decidiu fazer pequenos quadros. Quando nos mudamos para o Lago Norte, passou a colocar na exposição quadros maiores. Nunca deixamos de fazer, não seria no ano em que ele faltou que deixaríamos faltar também o seu trabalho;, revela Ailema de Bem Bianchetti, 88 anos, viúva.

Na mostra principal, 28 gravuras, entre litografias e serigrafias, estarão expostas. Além das obras, o DVD do documentário dirigido por Renato Barbieri e o livro sobre a trajetória do artista plástico serão vendidos. Já na exposição Peça única, em cartaz no mezanino da casa, trabalhos de outros artistas, como Ailema, Joy Barbosa, Luiza Gallina, Nadia Bacin, Paulo Lobo, Rô (Frida sem calo) e Thelma Aviani, compõem o evento.

A emoção tomará conta do fim de semana na casa da família Bianchetti. O artista morreu há menos de um ano. ;De vez em quando o coração aperta. Foram 62 anos juntos. Ele sempre trabalhando em casa e eu fazendo as minhas caixas. Sempre fomos muitos companheiros. Ele faz grande falta;, lamenta Ailema segurando as lágrimas.

Preservação

Bianchetti era considerado um dos artistas brasileiros mais completos da atualidade. Natural de Bagé (RS), mudou-se para Brasília em 1962, atendendo ao convite do professor Darcy Ribeiro. Gravador, pintor, ilustrador e professor da Universidade de Brasília (UnB), fez da capital o seu lar. Aqui, sua expressão artística tomou outros contornos. A simplicidade das cores e do traço tornou-se inconfundível.

O intenso trabalho no campo das artes visuais é referência no país. Por isso, Ailema de Bem Bianchetti, com o apoio da família, quer tombar a casa onde o artista viveu e trabalhou. A ideia é fundar ali o Instituto Glênio Bianchetti. ;Acredito que o Glênio está feliz vendo a gente trabalhar para que o nome dele não seja esquecido;, afirma a esposa.


Glênio Bianchetti e Peça Única
Abertura, hoje, às 20h, no Atêlie Glênio Bianchetti (SLMN MI 8 Conjunto 2, Casa 17, Lago Norte). Amanhã, a exposição fica aberta das 10h às 18h. Informações: 3409-1375.

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