O pacto por Brasília

O pacto por Brasília

» RODRIGO ROLLEMBERG Governador do Distrito Federal

postado em 01/01/2015 00:00


Assumir o Governo de Brasília é uma honra, um sonho realizado e uma responsabilidade imensa, especialmente para quem chegou aqui com menos de um ano de vida e que, como a cidade, cresceu, mudou e se transformou.


Sou da ;geração Brasília;, formada por brasilienses por adoção ou nascimento e que conviveu com a mística da criação da ;Capital da Esperança;, com os pioneiros, com os candangos anônimos de todos os rincões do país que deram concretude ao sonho de Juscelino Kubitscheck, à criatividade de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, à determinação de Israel Pinheiro e à coragem de Bernardo Sayão.

Tempos heroicos de uma epopeia da qual meu pai, Armando, e minha mãe, Teresa, participaram com alegria e entusiasmo. Souberam aproveitar a oportunidade de criar os 14 filhos na cidade construída em quatro anos que se tornara a capital da República.

Eram tempos de solidariedade, de abnegação, de companheirismo e de uma enorme vontade de dar certo, de ver a cidade se erguer do silencioso cerrado e criar vida própria. De um pacto não escrito, não formalizado, mas presente em cada autoridade e em cada cidadão que vivia em Brasília naqueles anos.

Com meus pais aprendi uma das maiores lições de vida, que carrego comigo em minha trajetória política como paradigma: ;Quem não vive para servir não serve para viver;. Eu e a minha equipe governaremos para servir ao povo de Brasília.

Nossa cidade está machucada, está com a autoestima baixa, vivendo mazelas cotidianas inimagináveis poucos anos atrás. É uma situação caótica, que poderia desanimar governantes pelo tamanho do desafio para superar a dura realidade.

No entanto, os que assumem o Palácio do Buriti na manhã de hoje, 1; de janeiro de 2015, estão firmes, inabaláveis e dispostos a enfrentar a maior crise orçamentária, administrativa e financeira da história da cidade.

Costumo repetir que ninguém é salvador da pátria e que não há milagre para resolver uma crise econômica ou gerencial desse porte. O que há é trabalho em equipe, diálogo permanente com a população, transparência, ética, eficiência e austeridade. A receita é essa, nosso compromisso é esse.

Mas o Executivo, sozinho, também não conseguirá a curto ou médio prazo reverter o quadro de desequilíbrio orçamentário e financeiro com essa dimensão. Sua capacidade gerencial, por si só, é insuficiente para barrar o descalabro vivido pela administração pública de Brasília.

Por isso conclamo a Câmara Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, a sociedade civil, as entidades de trabalhadores e de empresários, as associações comunitárias e estudantis, enfim, todos os brasilienses, a, juntos, traçarmos a linha de ações comuns que acelerem a recuperação do Distrito Federal, promovam o desenvolvimento sustentável e diminuam o sacrifício da população.

Temos de ter uma atitude realista, firme, solidária, propositiva e eficiente para podermos superar as adversidades. Não é uma tarefa exclusiva do Poder Executivo, mas de todos.

A cidade e sua população precisam de um Pacto que reúna todos em torno de objetivos comuns. Todos nós, juntos, vamos, de maneira ousada e inovadora, retirar Brasília do caos em que se encontra.

Quanto mais cedo todos nós nos entendermos e caminharmos juntos e no mesmo rumo, mais cedo sairemos dessa profunda crise em que vivemos.

Não se trata de abrir mão da delegação popular que as urnas conferiram ao Poder Executivo nem de impor essa ou aquela ação para outro Poder.

Trata-se, sim, de trabalharmos com os olhos voltados para os interesses e o futuro da população. Quanto maior e mais rápido esse entendimento, a consecução desse Pacto de Brasília, menor o sacrifício de todos.

Temos de nos despir de vaidades, de interesses segmentados e pensar grande, com a visão estadista do fundador de nossa cidade. A crise é gravíssima. A tarefa é imensa. O desafio é imensurável. Mas o exemplo de JK e dos candangos é permanente.

Recorro a uma frase dele, dita em discurso na inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960, para resumir o pensamento do nosso governo ao propor um Pacto dessa dimensão: ;Explicai a vossos filhos o que está sendo feito agora. É sobretudo para eles que se ergue esta cidade síntese, prenúncio de uma revolução fecunda em prosperidade. Eles é que nos hão de julgar amanhã.;

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